Neste primeiro aniversário sobre a morte de José Saramago, a nossa homenagem ao
grande escritor universal
2011-06-19
2011-06-17
dizer poesia: David Mourão-Ferreira
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos
David Mourão-Ferreira
1927-1996
Obra Poética 1948-1988
David Mourão-Ferreira
Editorial Presença
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos
David Mourão-Ferreira foi um importante escritor do século XX. Mais conhecido pela sua poesia (alguns dos seus poemas foram cantados por Amália Rodrigues), David Mourão-Ferreira também escreveu obras em prosa, tendo sido também professor e ensaísta. Alguns dos seus livros podem ser consultados e requisitados na Biblioteca. Mais poemas para ler já por exemplo aqui ou aqui
2011-06-10
dizer poesia Sá de Miranda
O sol é grande, caem co'a calma as aves,
do tempo em tal sazão, que sói ser fria;
esta água que d'alto cai acordar-m'-ia
do sono não, mas de cuidados graves.
Ó cousas, todas vãs, todas mudaves,
qual é tal coração qu'em vós confia?
Passam os tempos vai dia trás dia,
incertos muito mais que ao vento as naves.
Eu vira já aqui sombras, vira flores,
vi tantas águas, vi tanta verdura,
as aves todas cantavam d'amores.
Tudo é seco e mudo; e, de mestura,
também mudando-m'eu fiz doutras cores:
e tudo o mais renova, isto é sem cura!
Sá de Miranda
1481-1558
Obras Completas - volume I
Francisco de Sá de Miranda; texto fixado, notas e prefácio de Rodrigues Lapa
Livraria Sá da Costa Editora
Nascido em Coimbra, Sá de Miranda é um dos importantes poetas quinhentistas, sendo considerado o responsável por, depois de uma viagem a Itália, ter, no retorno dessa viagem em 1526, trazido para Portugal «o soneto, a canção, a sextina, as composições em tercetos e em oitavas e os versos de dez sílabas», afirmando, assim, um gosto mais classicista que se começa a evidenciar na corte portuguesa. Contemporâneo de Gil Vicente, Sá de Miranda também tem obra teatral, nomeadamente as comédias Vilhalpandos e Estrangeiros.
Uma importante informação sobre todos os autores de teatro do século XVI, nomeadamente, os textos de teatro, pode ser lida na base de dados do teatro quinhentista do Centro de Estudos de Teatro.
Uma importante informação sobre todos os autores de teatro do século XVI, nomeadamente, os textos de teatro, pode ser lida na base de dados do teatro quinhentista do Centro de Estudos de Teatro.
2011-06-09
2011-06-05
dizer poesia Cesário Verde
Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.
O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina. Batem os carros d'aluguer, ao fundo,
Levando à via férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo! Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros. Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes. E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais! E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinir de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda. Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas! Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas. Vem sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas. Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera focos de infecção!
Cesário Verde
1855-1886
O Livro de Cesário Verde
posfácio e fixação do texto: António Barahona
Assírio & Alvim
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.
Levando à via férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinir de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera focos de infecção!
Estudado principalmente pelos alunos de Português do 11.º ano, Cesário Verde é o nosso grande poeta do final do século XIX. Quem o lê com atenção apercebe-se da beleza daquelas palavras e da mensagem que elas transportam. Cesário, que viveu no Lugar d'Além por algum tempo e que se refere a Caneças numa carta, naquele que é um depoimento muito interessante sobre a Caneças do século XIX merece ser descoberto. Na biblioteca encontra-se a sua obra completa. Na net pode ser encontrado aqui entre muitos outros locais. Ler mais poemas aqui.
2011-06-02
Otelo em Caneças
Por iniciativa do grupo de História, o coronel Otelo Saraiva de Carvalho esteve na nossa escola, tendo dado o seu testemunho sobre o 25 de Abril a alunos do 9.º e 12.º anos na biblioteca.
À fluidez e clareza de Otelo responderam a atenção e interesse dos nossos alunos. E, claro, a gratidão da biblioteca por poder receber no seu espaço aquele que comandou o processo que nos trouxe a liberdade.
acordo ortográfico
A biblioteca com o grupo de Português e o arranjo gráfico do professor Antero Valério já preparou os materiais para a divulgação do acordo ortográfico. As regras e atividades podem ser vistas no site da escola. A seguir mostramos os nossos cartazes síntese enriquecidos pelos famosos bonecos do Antero.
2011-05-30
A VER COM MUITA ATENÇÂO
Nestes últimos tempos, têm sido tantos os alunos que enchem as mesas e os sofás ( com os seus portáteis no colo) que têm faltado lugares na biblioteca. Empenhadamente, os alunos, preparam a entrega dos seus trabalhos de Área de Projecto - 12.ºAno. Já começaram as apresentações mas no dia 1 vai ser o grande dia. E nós não vamos ter "olhos que cheguem" para ver tantos bons trabalhos e apresentações.
1 DE JUNHO - APRESENTAÇÔES | ||
LOCAL | HORA | GRUPO -TURMA |
Sala de Educação Física | 10.05 11.50 13.35 15.20 17.10 | Som – 12º B Design e Publicidade – 12º G Moda, Passerelle e Fotografia de Moda – 12º G Design de Equipamento – 12º G Parkour e Arte – 12º G |
Auditório | 10.05 11.50 13.35 15.20 17.10 | Saúde – 12º C Terramoto/Lisboa Cultural – 12º B Depressão - 12º C Mitos Alimentares – 12º C Stress – 12º A |
Sala F15 | 10.05 11.50 13.35 15.20 | Atitudes Face à Escola – 12º E Educação Sexual – 12º F (sala B6) Bullying – 12º A Tabaco – 12º A |
Sala F20 | 10.05 11.50 13.35 15.20 17.10 | Telemóveis (apresentação) – 12º A Água – 12º A Turismo/Cultura Portuguesa – 12º B Saúde – 12º B Horta e Tecnologia – 12º C |
dizer poesia Ruy Belo
O portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro
Ruy Belo
1933-1978
Todos os Poemas
Ruy Belo
Assírio & Alvim
Natural de Rio Maior, professor e poeta, tem uma obra singular na literatura portuguesa. Todos os poemas editado pela Assírio e Alvim reúne toda a sua obra poética. A biblioteca possui uma anterior edição da Editorial Presença. Alguns poemas podem ser lidos, por exemplo, neste interessante site de poesia.
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