2011-10-08

El Rei D. Dinis e a Rainha Santa Isabel visitam Caneças

Pelas 21 horas da passada sexta-feira, dia 7 de outubro, na Biblioteca da Escola Secundária de Caneças, alunos e professores dos cursos noturnos comemoraram os 750 anos do nascimento de D. Dinis com a representação de uma pequena peça teatral evocativa da vida e obra do cognominado “Rei Lavrador”.

Os ecos da História de Portugal soaram através das “palavras” de D. Dinis e da Rainha Santa Isabel, onde não faltaram o milagre das rosas, a poesia trovadoresca e a música galaico-portuguesa.

Mais uma vez, a Oficina de Teatro das professoras Lisete Fortunato e Natália Comenda e o empenho e dedicação dos formandos dos cursos EFA não desiludiram e animaram a nossa escola.

 Prof.ª Luísa Reis

2011-10-07

Prémio Nobel da Literatura



O Prémio Nobel da Literatura 2011 foi atribuído, este ano, ao poeta e tradutor sueco Tomas Tranströmer.  Segundo a euronews,  a  Academia sueca anunciou que Tranströmer mereceu o galardão “porque, através das suas imagens condensadas e translúcidas, dá-nos um acesso fresco à realidade”.
Nascido em Estocolmo a 15 de Abril de 1931 foi autor de cerca de 20 livros e traduzido em todo o mundo (em 30 línguas). Publicou aos 23 anos a sua primeira obra “17 dikter” (217 poemas). Em Portugal, Tomas Tranströmer encontra-se presente na coletânea “21 poetas suecos, publicado em 1981  pela editora Veja. É dessa coletânea, a que tivemos acesso através do professor Luís André, que retirámos este poema:
Lisboa
No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas calçadas íngremes.
Havia lá duas cadeias. Uma era para ladrões.
Acenavam através das grades.
Gritavam que lhes tirassem o retrato.
“Mas aqui”, disse o condutor e riu à sucapa como se cortado ao meio,
“aqui estão políticos”. Vi a fachada, a fachada, a fachada
E lá no cimo um homem à janela, tinha um óculo e olhava para o mar.

Roupa branca no azul. Os muros quentes.
As moscas liam cartas microscópicas.
Seis anos mais tarde perguntei a uma senhora de Lisboa:
“será verdade ou só um sonho meu?”
                               (Tradução de Vasco Graça Moura)
In Coletânea “21 poetas suecos”, editorial Vega, 1981.

Manuel da Fonseca na escola



Dias 10 e 11, em comemoração do centenário de Manuel da Fonseca (que nasceu no dia 15 de outubro), os alunos do 7.ºano vão ler alguns dos seus poemas pelas salas de aula da escola, numa iniciativa da disciplina de Língua Portuguesa.

Também, por aqui, lembramos Manuel da Fonseca, através das suas palavras cantadas por Adriano Correia de Oliveira.

Tejo que levas as águas
(Manuel da Fonseca/Adriano Correia de Oliveira)

Tejo que levas as águas 

correndo de par em par 

lava a cidade de mágoas 

leva as mágoas para o mar 



Lava-a de crimes espantos 

de roubos, fomes, terrores, 

lava a cidade de quantos 

do ódio fingem amores 



Leva nas águas as grades 

de aço e silêncio forjadas 

deixa soltar-se a verdade 

das bocas amordaçadas 



Lava bancos e empresas 

dos comedores de dinheiro 

que dos salários de tristeza 

arrecadam lucro inteiro 



Lava palácios vivendas 

casebres bairros da lata 

leva negócios e rendas 

que a uns farta e a outros mata 



Tejo que levas as águas 

correndo de par em par 

lava a cidade de mágoas 

leva as mágoas para o mar 



Lava avenidas de vícios 

vielas de amores venais 

lava albergues e hospícios 

cadeias e hospitais 



Afoga empenhos favores 

vãs glórias, ocas palmas 

leva o poder dos senhores 

que compram corpos e almas 



Leva nas águas as grades 
... 



Das camas de amor comprado 

desata abraços de lodo 

rostos corpos destroçados 

lava-os com sal e iodo

Tejo que levas as águas 

correndo de par em par 

lava a cidade de mágoas 

leva as mágoas para o mar.

2011-09-23

Manuel da Fonseca 100 anos


Manuel da Fonseca nasceu em Santiago do Cacém no dia 15 de outubro de 1911 e morreu em 1993. Escritor do neo-realismo, muitas das suas obras podem ser lidas na biblioteca ou em casa, por empréstimo.
No âmbito das comemorações do centenário de Manuel da Fonseca realiza-se, de 7 a 9 de outubro, na Faculdade de Letras de Lisboa, no Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira e em Santiago do Cacém, o Congresso Internacional "Por Todas as Estradas do Mundo" para o qual é possível efetuar uma inscrição aqui (hoje é o último dia).
Voltaremos a Manuel da Fonseca mais vezes durante este ano mas não queremos deixar de salientar a apresentação do escritor feita pela Escola Secundária de Manuel da Fonseca (de Santiago do Cacém), nomeadamente para os vídeos com uma entrevista dada nos anos 90.

2011-09-16

Começar


Começamos. 
Bem vindos à escola (e à sua biblioteca).
A imagem aqui ao lado é a de uma figura de convite, tipologia muito utilizada na produção de azulejos, nomeadamente no período joanino (referente ao reinado de João V,1707-1750).
Como este simpático cavalheiro, também nós, na Biblioteca, vos convidamos a frequentar este lugar, a estudar nas nossas mesas, a requisitar livros para ler em casa.
Passem por cá. ocupem o espaço.
 Foto da Escola do 1ª Ciclo nº 68, Rua Penha de França, Lisboa retirada daqui

2011-09-07

dizer poesia Alberto Caeiro



Quando vier a primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.
Se soubesse que amanhã morria
E a primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
Alberto Caeiro
1889-1915
Poesia
Alberto Caeiro; edição Fernando Cabral Martins, Richard Zenith
Assírio & Alvim

Iniciamos este ano letivo com o último dos 15 poemas propostos pela RTP2 no programa Um poema por semana que apresentámos aqui. Se só agora contactam com o nosso blogue, oiçam os outros poemas e vejam se este nosso/vosso blogue vos agrada. Deem-nos ideias e sugestões. Alberto Caeiro («o meu mestre Caeiro» como escreveu Álvaro de Campos, num texto onde afirma que nunca o viu triste) é um dos heterónimos de Fernando Pessoa.
Alberto Caeiro nasceu em Lisboa, em 1889 e morreu em 1915, mas viveu quase toda a sua vida no campo, com uma tia-avó idosa, porque tinha ficado órfão de pais cedo. Era louro, de olhos azuis. Como educação, apenas tinha tirado a instrução primária e não tinha profissão.Como surgiu este heterónimo? Conta o próprio Fernando Pessoa que “se lembrou um dia de fazer uma partida a Sá-Carneiro — de inventar um poeta bucólico, de espécie complicada, e apresentar-lho, já me não lembro como, em qualquer espécie de realidade. Levei uns dias a elaborar o poeta mas nada consegui. Num dia em que finalmente desistira — foi em 8 de Março de 1914 — acerquei-me de uma cómoda alta, e, tomando um papel, comecei a escrever, de pé, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase cuja natureza não conseguirei definir. Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim. Abri com um título, O Guardador de Rebanhos. E o que se seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre. Foi essa a sensação imediata que tive.”
Quando Fernando Pessoa escreve em nome de Caeiro, diz que o faz “por pura e inesperada inspiração, sem saber ou sequer calcular que iria escrever.”


Fonte: Carta de Fernando Pessoa a Adolfo Casais Monteiro, de 13 de Janeiro de 1935, in Correspondência 1923-1935, ed. Manuela Parreira da Silva, Lisboa, Assírio & Alvim, 1999.

Para mais informações consultar o site da Casa Fernando Pessoa.


2011-07-25

contigo, Noruega





mataram na Noruega.

mataram jovens na Noruega.

perante o horror choramos os que são os nossos mortos.

contra o terror que nos quer destruir o mundo livre, gritamos com Munch.

e gritamos com Ibsen


a liberdade é a mais nobre e a principal condição da vida

2011-07-19

ler poesia mário cesariny



Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante!

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade, rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora - ah, lá fora! - rir de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra


Mário Cesariny
1923-2006

Nobilíssima Visão
Mário Cesariny
Assírio & Alvim

Nome maior do surrealismo português, Cesariny é poeta e pintor que merece ser conhecido. Na Biblioteca podem ser consultados alguns dos seus livros e antologias que o transcrevem. Mas para quem tem pressa de o conhecer vá já a este blogue ou passe pelas tormentas ou então explore a página da Wikipédia ou veja as obras pertencentes ao Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian (CAMJAP) . Já o demos a ouvir e a ele voltaremos.

2011-07-14

dizer poesia: Jorge de Sena



Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumière
just a little light
una picolla... em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
entre o bafo quente da multidão
a ventania dos cerros e a brisa dos mares
e o sopro azedo dos que a não vêem
só a adivinham e raivosamente assopram.
Uma pequena luz
que vacila exacta
que bruxuleia firme
que não ilumina apenas brilha.
Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
Muda como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Brilhando indeflectível.
Silenciosa não crepita
não consome não custa dinheiro.
Não é ela que custa dinheiro.
Não aquece também os que de frio se juntam.
Não ilumina também os rostos que se curvam.
Apenas brilha bruxuleia ondeia
indefectível próxima dourada.
Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.
Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não:
brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui
no meio de nós.
Brilha.
Jorge de Sena
1919-1978

Antologia Poética
Jorge de Sena; edição de Jorge Fazenda Lourenço
Guimarães Editores

Jorge de Sena nasceu em Lisboa e morreu em Santa Bárbara, Califórnia, onde era professor. Uma biografia pode ser lida na Wikipédia. No blogue As Tormentas também podem ser lidos poemas e biografia. Livros fundamentais deste autor, nomeadamente Sinais de Fogo, podem ser requisitados na Biblioteca.