Já vem sendo um (bom hábito). Na semana da leitura, os alunos de Física do12.º ano apresentam na biblioteca as suas leituras de livros científicos, de divulgação científica ou que envolvam, de algum modo, a ciência e os cientistas. É sempre um momento de aprendizagem e, por vezes, para quem assiste, de espanto pela qualidade e originalidade das comunicações. Vamos publicar, em próximas mensagens, alguns dos textos sobre os livros que serviram de base às comunicações.
2016-03-21
semana da leitura a hora do conto
A Hora do Conto é uma atividade do departamento de Português, com apoio da biblioteca, que consiste na apresentação de leituras de contos que foram trabalhados pelos alunos de Português do 11.º ano a uma turma do oitavo. Desta vez, os alunos do 8.º C ouviram de Angelina Gromyak, David Martins, Inês Aleluia e Tânia Nunes (do 11.ºCT1), Lucas Correia e Lúcia Costa (11.ºAV1) e Inês Pacheco e Maria Luís Santos (11.º LH2) a sua opinião crítica sobre um conto. As apresentações foram bons testemunhos de uma leitura atenta e esperamos dar conta, aqui, de algumas dessas leituras brevemente.
semana da leitura concurso ouvir-te ler
Culminando a semana da leitura, realizou-se no dia 18, no auditório da Secundária, a fase final do concurso Ouvir-te Ler, uma parceria das bibliotecas do Agrupamento com os departamentos de Português e do primeiro ciclo. Ouvimos textos de Mia Couto, Eça de Queirós, Luísa Ducla Soares, José Jorge Letria, Fernando Pessoa, Luís de Camões, entre tantos outros, lidos com arte pelos concorrentes, numa atividade muito participada com a presença de familiares, professores e alunos.
Assim, vencemos todos e todos os participantes estão de parabéns. E apuraram-se os vencedores.
Primeiro ciclo: Tomás Miguel Rocha Teles, do 4.º ano da Escola Básica Francisco Vieira Caldas.
Segundo ciclo: (ex aequo) Maria Constança Cruz e Maria Inês Tavares, do 5.º ano da Escola Básica dos Castanheiros.
Terceiro ciclo: André Alexandre Quintão Roldan, do 8.º ano da Escola Secundária de Caneças.
O desenrolar do evento foi assegurado, com grande profissionalismo, pelos alunos do 11.ºano do curso profissional de turismo da Secundária.
2016-03-06
2016-03-04
inauditas versões da inaudita guerra - sem título
Resultado de um trabalho proposto pelas professoras de Português aos alunos do 8.ºano sobre o conto de Mário de Carvalho A inaudita guerra da Avenida Gago Coutinho, apresentamos mais textos, desta vez, de alunos da turma D:
Estávamos no dia 2 de agosto de 1415, o dia em que decidimos, por curiosidade e interesse, embarcar numa viagem com data de partida mas sem uma chegada definida… Foi no dia em que nos despedimos de familiares e amigos e nos fizemos ao mar, instável e perigoso…
Já navegávamos há algumas horas, quando o paraíso azul foi invadido por um nevoeiro frio, húmido e envolvente que desapareceu tão rapidamente como tinha aparecido. Logo todos os marinheiros se olharam com expressões interrogativas e desesperadas, mas todo esse desespero foi substituído por expressões de surpresa ao ver terra, a grande, a insólita e temida terra.
A Nova Terra era-lhes familiar, ninguém sabia como nem porquê mas tinham regressado ao seu Portugal, que por sua vez estava diferente, e que para grande espanto dos marinheiros esta continha estruturas que se assemelhavam a casas e objetos metálicos parecidos com carruagens só que sem cavalo, com janelas e muito mais rápidos.
Espantados estavam também todas as pessoas que se encontravam no Terreiro do Paço no dia 3 de janeiro de 2015, pois não era todos os dias que se via um bando de pessoas com trajes demasiados formais e pormenorizados vindos sabe-se lá de onde a olharem feitos parvos para tudo e todos como se nunca tivessem saído de casa.
Logo rompeu uma assuada de ambos os lados, todos se fitavam admirados. Ouviu-se, de repente, alguém a dizer que devia ser para algum anúncio publicitário ou para os apanhados. Mas os navegadores decidiram não se deixar cativar com as vestes de cores apelativas ou com aquelas luzes saídas das caixinhas eletrónicas que eles seguravam perto do ouvido.
Porém, o insólito não durou muito tempo, pois, num abrir e fechar de olhos, tudo desapareceu, como se tivesse passado de um sonho… Esse sonho deveu-se a Clio. Esta musa ficara aborrecida pelo facto de, da última vez que tinha enleado dois fios, não ter estado acordada para ver o resultado. Assim decidiu voltar a entrelaçar duas datas e divertir-se um bocadinho com os seus efeitos dessa amálgama.
Sofia Figueiredo, n.º 29, 8ºD
inauditas versões da inaudita guerra - Os inauditos quartos de final da liga NOS
Os inauditos quartos de final da liga
NOS
Fim de tarde de 21 de dezembro de
2015. O centro de Lisboa vibrava. Era a segunda parte do Sporting x Porto para
as semifinais no Alvalade XXI. O jogo estava empatado a zeros
-Ora aí está
uma oportunidade para o Porto. Jackson Martinez avança pela ala direita, fintou
o defesa, pode cruzar, vai cruzar, cruzameeeeeeeento...!
À mesma
hora, a 4 de junho de 1148, as tropas da Almóada Ibn-el-Muftar tinham-se
preparado, por uma espécie de vingança, para cercar Lixbuna. Centenas, se não
milhares de homens, avançavam ao lado de um rio, uns a cavalo outros a pé, e já
avistavam as muralhas da cidade quando, do nada, se levantaram os adeptos do
Porto das cadeiras. Os soldados viram-se cercados por uma estrutura monstruosa,
apinhada de gente de estranhas e coloridas vestimentas aos gritos, que andava
numa planície de relva verdinha. Todos (árabes, adeptos, jogadores e seguranças
da PROSEGUR) olhavam para tudo aquilo meio pasmados, quase paralisados.
Perguntava-se
Ali-ben-Yusuf, lugar-tenente de Muftar, que raio se passava ali, quando a bola
do cabeceamento de André André lhe acertou em cheio no nariz. Primeiro ficou
tonto, depois caiu esticado no chão.
Logo após o
ataque ao seu tenente, Muftar deu ordens aos seus seguidores, que partiram, a
correr ou a cavalo, pelo campo de alfange em riste e dando gritos de guerra.
Com isto, os
adeptos, cumprindo a tradição, invadiram também o relvado, atirando camisolas
ao ar e entoando cânticos leoninos e tripeiros muito bonitos. O único que não
reagia era o brioso e experiente segurança-líder Gilberto, que ali estava a ver
navios. Só quando levou um encontrão de um espetador que cambaleara bancada
abaixo é que acordou e se lembrou que tinha de fazer alguma coisa. Pegou no
rádio e comunicou aos colegas a ocorrência. Sem obter resposta, mudou a
frequência e reportou o incidente à Polícia de Intervenção. Os agentes deram o
último gole na cerveja e lá se puseram a milhas pela 2ª circular até ao
estádio.
Chegando, rapidamente entraram no
campo, todos equipados. O sargento Manuel Ribeiro foi o primeiro, e, com a sua
alta capacidade de resolver este tipo de problemas, logo se escondeu atrás do
banco do visitante. Os outros lá foram à bastonada a tudo e todos, sem grande
resultado.
Ibn-el-Muftar avançava a cavalo para
atacar um portista quando avistou Islam Slimani, ponta de lança do Sporting.
-“Que o meu pai não seja Muftar se
aquele homem não é igualzinho a mim” – pensou o árabe.
Será um grande líder da baliza descendente
de um outrora grande líder militar? Isso nunca se soube, visto que entretanto
Clio acordou, desfez o nó e borrifou todos os participantes neste episódio com
água do rio Letes. Assim, nem os árabes atacaram Lixbuna nem os adeptos e os
polícias souberam o que faziam no meio do relvado nem o sargento Ribeiro soube
o que fazia no banco de Lotopegui, ou Lopetegui. Quanto ao jogo, esse foi
adiado por tempo indefinido, para que fosse limpo o estádio de Alvalade depois
daquela confusão.
João Simões, n.º 21, 8ºD
inauditas versões da inaudita guerra - Um futuro sombrio
Resultado de um trabalho proposto pelas professoras de Português aos alunos do 8.ºano sobre o conto de Mário de Carvalho A inaudita guerra da Avenida Gago Coutinho, apresentamos mais textos, desta vez, de alunos da turma D:
Um futuro sombrio
Era apenas um dia normal na vida de marginal que José levava... Acordou tarde, vestiu a roupa mais reles que encontrou, puxou as calças o mais que pôde e seguiu para a cozinha, onde a mãe se encontrava. A D. Alzira perdera o marido tinha o Zé dois anos e, desde então, bebia cada vez mais e mais, sendo, portanto, uma pessoa muito instável. Mas voltando ao José, entrou na cozinha sem dirigir uma palavra à sua mãe, que lhe disse:
-Já viste as horas que são, José? Que mal fiz eu para ter um filho que não passa do oitavo ano?!
-Mãe, não me maces! Não estou para isso...- retribuiu ele, virando-lhe as costas e fazendo com que a porta batesse e ecoasse de maneira a que uma pessoa se sentisse ainda mais sozinha.
José chegou, finalmente, à escola, na Cova da Moura. Entrou na sala e cumprimentou os seus amigos um a um e sentou-se. Agora a principal tarefa era irritar a professora o mais possível e estar fora dali com o seu gangue daí a mais ou menos dez minutos.
Ele não vacilou e o plano não falhou, aliás nunca falha… Eles conseguem sempre. Eram quatro rapazes, cada um mais ordinário que o outro. E, para não variar, nesse dia, fugiram para o lado mais obscuro do bairro e foram fazer o óbvio. Porém arriscaram ainda mais, enrolaram uma das drogas mais alucinogénicas que a Cova da Moura alguma vez viu, pouco depois estavam cada um encostado para seu canto, com caras completamente desfiguradas, começara o êxtase dentro das suas mentes, a alucinação…
O José acordava para mais um dia, vestira-se, passara pela cozinha e aí começaram as mudanças... D. Alzira já não se encontrava mais sentada em frente à televisão com uma garrafa de vinho na mão, agora apenas via dezenas de garrafas vazias por toda a casa, umas no velho sofá, outras no móvel da televisão, garrafas por todo o lado... Depois de observar o horrível panorama por alguns instantes, correu a casa inteira à procura da mãe. Por último, passou pela casa de banho e constatou que ela também não se encontrava lá, à saída, reparou no seu reflexo no espelho e, espantado, apercebeu-se de que os anos passaram por ele como um atleta...
Assustado, saiu porta fora, deu-se conta de que o dia estava ainda mais cinzento que o normal, a Cova da Moura estava ainda mais triste que o normal, tudo estava pior que habitual. Já não se viam crianças a jogar à bola no meio da rua, já não se viam vizinhas a falar e a cuscar sobre a vida de tudo e de todos...
Uma suave brisa fez José deslizar o olhar por toda a rua e lá no fundo avistou alguém. Correu para junto do senhor e apercebeu-se de que era o cego lá do bairro, mas, mesmo assim não resistiu a perguntar-lhe para onde tinha ido toda a gente.
- Para onde foram não vi, mas garanto-te... garanto-te que nem este pobre bairro nem o mundo viram tanta escuridão como a que os próprios criaram! – respondeu ele.
Sinceramente não sei se alguma coisa mudou quando José recuperou, não sei se tomou conta da sua vida, se prosseguiu no caminho que ele considerou ser o melhor para a viver... Apenas sei que este foi dos únicos episódios que José guardou das suas viagens descomunais.
Um futuro sombrio
Era apenas um dia normal na vida de marginal que José levava... Acordou tarde, vestiu a roupa mais reles que encontrou, puxou as calças o mais que pôde e seguiu para a cozinha, onde a mãe se encontrava. A D. Alzira perdera o marido tinha o Zé dois anos e, desde então, bebia cada vez mais e mais, sendo, portanto, uma pessoa muito instável. Mas voltando ao José, entrou na cozinha sem dirigir uma palavra à sua mãe, que lhe disse:
-Já viste as horas que são, José? Que mal fiz eu para ter um filho que não passa do oitavo ano?!
-Mãe, não me maces! Não estou para isso...- retribuiu ele, virando-lhe as costas e fazendo com que a porta batesse e ecoasse de maneira a que uma pessoa se sentisse ainda mais sozinha.
José chegou, finalmente, à escola, na Cova da Moura. Entrou na sala e cumprimentou os seus amigos um a um e sentou-se. Agora a principal tarefa era irritar a professora o mais possível e estar fora dali com o seu gangue daí a mais ou menos dez minutos.
Ele não vacilou e o plano não falhou, aliás nunca falha… Eles conseguem sempre. Eram quatro rapazes, cada um mais ordinário que o outro. E, para não variar, nesse dia, fugiram para o lado mais obscuro do bairro e foram fazer o óbvio. Porém arriscaram ainda mais, enrolaram uma das drogas mais alucinogénicas que a Cova da Moura alguma vez viu, pouco depois estavam cada um encostado para seu canto, com caras completamente desfiguradas, começara o êxtase dentro das suas mentes, a alucinação…
O José acordava para mais um dia, vestira-se, passara pela cozinha e aí começaram as mudanças... D. Alzira já não se encontrava mais sentada em frente à televisão com uma garrafa de vinho na mão, agora apenas via dezenas de garrafas vazias por toda a casa, umas no velho sofá, outras no móvel da televisão, garrafas por todo o lado... Depois de observar o horrível panorama por alguns instantes, correu a casa inteira à procura da mãe. Por último, passou pela casa de banho e constatou que ela também não se encontrava lá, à saída, reparou no seu reflexo no espelho e, espantado, apercebeu-se de que os anos passaram por ele como um atleta...
Assustado, saiu porta fora, deu-se conta de que o dia estava ainda mais cinzento que o normal, a Cova da Moura estava ainda mais triste que o normal, tudo estava pior que habitual. Já não se viam crianças a jogar à bola no meio da rua, já não se viam vizinhas a falar e a cuscar sobre a vida de tudo e de todos...
Uma suave brisa fez José deslizar o olhar por toda a rua e lá no fundo avistou alguém. Correu para junto do senhor e apercebeu-se de que era o cego lá do bairro, mas, mesmo assim não resistiu a perguntar-lhe para onde tinha ido toda a gente.
- Para onde foram não vi, mas garanto-te... garanto-te que nem este pobre bairro nem o mundo viram tanta escuridão como a que os próprios criaram! – respondeu ele.
Sinceramente não sei se alguma coisa mudou quando José recuperou, não sei se tomou conta da sua vida, se prosseguiu no caminho que ele considerou ser o melhor para a viver... Apenas sei que este foi dos únicos episódios que José guardou das suas viagens descomunais.
Alexandra Frazão, n.º1, 8.ºD
2016-02-12
São Valentim
ouvir-te ler
2016-02-11
faça lá um poema - os nossos poemas secundário
Estamos a publicar os poemas com que o nosso agrupamento respondeu ao desafio do Plano Nacional de Leitura.
O poema que representa o secundário é o da nossa aluna Inês Silva, do 10.º SE1
Tabaco
Fumei. Tentei
conter-me, mas não deu.
Um bafo, dois
bafos… 3, e deu.
Deu para
esquecer tudo, incluindo pesadas palavras.
Que a vida é
feita de saídas e entradas.
Um bafo, dois
bafos… 3, e deu.
Como se o
tabaco fosse a chave para tudo…
Sei que o
tabaco não resulta, lá no fundo.
A minha mão
tremeu ao acendê-lo.
Quanta
fragilidade num só ato.
Engoli a seco
o erro,
e esse erro
foste tu, não o meu tabaco.
Um bafo, dois
bafos, 3 … e deu.
Acendeste-me
naquela tarde,
e a chama
ardeu.
A gentileza
dos teus lábios fugiu-me…
quando apagaste o cigarro.
Usaste-me,
fumaste e fumaste até ao fim,
e no final
nem te despedes de mim.
Atirada para
o chão, de orgulho ferido,
aquela que
podia ser a mãe do teu futuro filho.
Sempre foste
fumador, já devia saber.
Há vícios
maiores que outros,
e eu, a
prioridade nunca haveria de ser.
Um bafo, dois
bafos, 3… eu sei.
Fumaste mais
que 30 cigarros e eu sei porque eu contei
todas as
histórias perdidas, sem grande final.
Escolhas
feitas, de uma maneira tão banal…
Um bafo, dois
bafos, 3 … comoveu.
Fumaste
tanto, e agora a fumadora sou eu!
faça lá um poema - os nossos poemas 3.º ciclo
Estamos a publicar os poemas com que o nosso agrupamento respondeu ao desafio do Plano Nacional de Leitura.
O poema que representa o 3.º ciclo é o do nosso aluno Pedro Gaspar, do 8.ºC :
Um refugiado
Um refugiado
Corre, foge
do medo
Foge de algo
que já viveu
Algo que
nunca relatou,
Mas que
perturbou o seu eu.
Um refugiado
Sente-se
perdido e abandonado
Está sempre
sozinho.
Numa praça ou
num canto sente-se desanimado
E procura
passar de mansinho.
Só e triste
vê famílias contentes
A passear de
mãos dadas
Olha para
todos os lados
E repara que
não tem nada.
Um refugiado
Sente-se uma
pessoa diferente
Ainda que no
meio da multidão,
Sente-se
desacompanhado.
Não consegue
estar confiante e contente
Tal é o medo
que sente.
Um refugiado
É como lixo
na rua
Toda a gente
passa e olha,
Mas ninguém
para e pergunta
Se precisa de
ajuda.
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