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2022-10-21

#lerparaapaz MIBE 2022 -14

 


Ele rodava a cadeira, frente para trás. De quando em enquanto se escutavam tiros, rajadas de metralhadora.Já nem nos alarmávamos. Lá fora havia o matraquear da morte, lamentos de vidas que se apagavam. Para nós, porém, aquele ruído, era já parte da paisagem. Ficava, contudo, um amargo escorrendo naquelas paredes. Nosso assunto se engasgou. Comentei sobre a eternidade que demorava a guerra. Assane discordou:

- Nem isto guerra nenhuma não é. isto é alguma coisa que ainda não tem nome.

Se explicou: antes fosse uma guerra a sério. Se assim fosse teria feito crescer o exército. Mas uma guerra-fantasma faz crescer um exército fantasma, salteado, desnorteado, temido por todos e mandado por ninguém. E nós próprios, indiscriminadas vítimas, nos íamos convertendo em fantasmas.

 - No fundo da latrina não pode haver guerra limpa.

 

Mia Couto, Terra sonâmbula, Lisboa, Caminho, 1998, p.121

2014-01-11

Mia Couto

Por iniciativa do nosso aluno César Dias, divulgamos este mês a obra de Mia Couto, com um convite à leitura individual, e/ou à leitura partilhada, de um dos maiores escritores contemporâneos de língua portuguesa.

Mia Couto, pseudónimo de António Emílio Leite Couto (Beira, 5 de Julho de 1955), é um biólogo e escritor moçambicano.
Adoptou este pseudónimo devido à paixão por gatos e porque o seu irmão não sabia pronunciar o nome dele.
Com catorze anos de idade, teve alguns poemas publicados no jornal Notícias da Beira e três anos depois, em 1971, mudou-se para a cidade capital de Lourenço Marques (agora Maputo).
Iniciou os estudos universitários em medicina, que abandonou no princípio do terceiro ano, passando a exercer a profissão de jornalista, depois do 25 de Abril de 1974.
Trabalhou na Tribuna até à destruição das suas instalações, em Setembro de 1975, por colonos que se opunham à independência. Foi nomeado diretor da Agência de Informação de Moçambique (AIM) e formou ligações de correspondentes entre as províncias moçambicanas, durante o tempo da guerra de libertação. A seguir, trabalhou como director da revista Tempo, até 1981, e continuou a carreira no Jornal Notícias, até 1985.
Em 1983, publicou o seu primeiro livro de poesia, Raiz de Orvalho. Dois anos depois, demitiu-se da posição de diretor para continuar os estudos universitários na área de biologia.
Em muitas das suas obras, Mia Couto tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana e de uma nova maneira de falar - ou "falinventar" - português. Terra Sonâmbula, o seu primeiro romance, publicado em 1992, ganhou o Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995 e foi considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX, por um júri criado pela Feira do Livro do Zimbabué.
Em 2013 foi homenageado com o Prémio Camões e com o prémio internacional de literatura Neustadt, atribuído de dois em dois anos pela Universidade de Oklahoma, equivalente ao prémio Nobel da literatura norte-americana.

“Para que as luzes do outro sejam percebidas por mim devo por bem apagar as minhas, no sentido de me tornar disponível para o outro.”

“O importante não é a casa onde moramos. Mas onde, em nós, a casa mora”

“A velhice me ensinou: o amor é coisa de vivo. Ou talvez o amor seja a mãe de toda a coisa viva.” 

“ O homem sábio é o que sabe que há coisas que nunca vai saber. Coisas maiores que o pensamento.”

Recentemente o escritor deu uma entrevista que pode ser visionada em:



Fontes: Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Mia_Couto ; Jornal Público: http://www.publico.pt/cultura/noticia/mia-couto-distinguido-com-premio-internacional-de-literatura-neustadt-1611149https://pt-pt.facebook.com/pages/Mia-Couto/298257536887970; Acedidos em 8 de Janeiro de 2014; livro do autor: Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra.

2013-05-30

Mia Couto - Prémio Camões





O vencedor do prémio Camões, o mais importante da criação literária da língua portuguesa, é o escritor moçambicano autor de livros como Raiz de Orvalho, Terra Sonâmbula e A Confissão da Leoa… .Criado por Portugal e pelo Brasil em 1989, este prémio consagra anualmente um autor que, pelo valor intrínseco da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum. 
O júri justificou a distinção de Mia Couto tendo em conta a “vasta obra ficcional caracterizada pela inovação estilística e a profunda humanidade”, segundo disse à agência Lusa José Carlos Vasconcelos, um dos jurados.
A obra de Mia Couto, “inicialmente, foi muito valorizada pela criação e inovação verbal, mas tem tido uma cada vez maior solidez na estrutura narrativa e capacidade de transportar para a escrita a oralidade”, acrescentou Vasconcelos. Além disso, conseguiu “passar do local para o global”, numa produção que já conta 30 livros, que tem extravasado as suas fronteiras nacionais e tem tido um grande reconhecimento.

Informação acedida em: http://www.publico.pt/cultura/noticia/xxxxxx-premio-camoes-foi-para-o-escritor-1595653

A biblioteca tem algumas das suas obras que podes ler em casa. Consulta o catálogo em SERonline.