2022-03-21

GASTÃO CRUZ - DIA MUNDIAL DA POESIA

Morreu um poeta no dia em que começa a primavera. 

De Gastão Cruz, que, em tempos idos, participou numa sessão na biblioteca da Secundária, guardamos o livro Poemas reunidos de que transcrevemos este, no Dia Mundial da Poesia:

 

Não cantes o meu nome em pleno dia

não movas os seus ásperos motivos

sob a luz dolorosa sob o som

da alegria

 

Não movas o meu nome sob as tuas

mãos molhadas do choro doutros dias

não retenhas as sílabas caídas

do meu nome da tua boca extinta

 

Não cantes o meu nome a primavera

já o ameaça hoje principia

a vida do meu nome não o cantes

com a tua alegria

Gastão Cruz, Poemas reunidos, Lisboa: Dom Quixote, 1999, p.173

2022-03-10

Às Avessas 44



 Desta vez, o jornal da Secundária não é um jornal feito pelos alunos, mas, seguramente, é feito com eles e para eles. A ler aqui, com necessidade de ampliar a imagem.

2022-03-08

A mulher passa na biblioteca

Transformar uma afirmação como ser mulher em conhecimento pode passar pelos livros.
É esse o propósito da mostra do nosso fundo documental sobre algumas áreas temáticas que pensam a condição feminina: o feminismo, os direitos das mulheres e a igualdade de género, informação histórica sobre a mulher, biografias de mulheres, histórias literárias de mulheres.
Em exposição na biblioteca até 26 de março.



 

Textos de opinião - desigualdade de género

No Dia Internacional da Mulher publicamos dois textos de alunas produzidos no âmbito da disciplina de Português. Obrigado pela partilha.


 Desigualdade de Género

 

Ao contrário do que uma grande quantidade de pessoas pensa, a desigualdade de género continua a ser predominante na nossa sociedade. Na verdade, mesmo sendo um assunto que afeta a vida de muitas pessoas, parece já ter sido “esquecido” por uma grande parte da população do mundo atual. De roupa a trabalho, de comportamentos a posturas, ainda podemos notar a diferença de reações perante certas situações, quando se trata de uma mulher e quando se trata de um homem.

Em anos passados, falava-se muito deste tema, designadamente, por exemplo, das diferenças de salários ou das desigualdades no ambiente familiar. Mas, e atualmente? Será que houve uma transformação tão acentuada, tendo em conta as diferenças de que se foi parando de falar? A minha resposta é não. Atualmente, estas desigualdades ainda estão presentes em todo o lado. No mundo do trabalho, ainda há, por exemplo, empresas que preferem contratar homens a mulheres, mesmo tendo exatamente as mesmas competências. E os salários? Ainda há diferença entre o que os homens e as mulheres recebem? Há. Em determinados países e em determinados empregos, há. Mas não é só no mundo do trabalho que existem estas diferenças, a verdade é que estão presentes em todo o lado: a filha tem que ficar em casa a lavar os pratos, mas o filho pode ir brincar com os amigos “lá fora”; a rapariga não pode sair de casa com calções porque estará a “chamar a atenção”, mas o rapaz pode vestir-se da maneira que quiser, sem ter reparos, entre muitos outros exemplos.

Em conclusão, obviamente que há casos e casos e há pessoas e pessoas. Todos sabemos que estes comportamentos discriminatórios são mais presentes em certas regiões do que noutras. Mas o facto de não ser toda a população a inferiorizar a mulher não quer dizer que não existam pessoas que o façam e que este problema não precise de mais atenção e de urgente resolução.

Patrícia Silva, n°21, 12°LH1.


A Desigualdade de Género no Mundo Atual

   Nos tempos que decorrem, presencia-se, evidentemente, uma clara diferença nas oportunidades e desafios enfrentados pelas mulheres e pelos homens. Estas diferenças devem-se a diversos fatores sociais, que defendem a ideia da superioridade masculina ao longo dos séculos.

   Em primeiro lugar, a desigualdade de género ainda está presente em diversos países do mundo, que se baseiam em ideais conservadores. Muitas mulheres, por exemplo, são forçadas a exercer o papel de dona de casa, e, deste modo, é-lhes privado qualquer direito de escolha acerca de um futuro que corresponda às suas capacidades e desejos. Ainda vale sublinhar a sua submissão forçada em relação ao seu marido, o dever de cumprir os afazeres domésticos e, em alguns casos, forçadas a ter e criar filhos. Exemplo destas situações é o quotidiano de quem vive em países que estão em desenvolvimento, designadamente de mulheres que se veem privadas de direitos básicos como a formação académica, a liberdade de escolha ou a liberdade de expressão.

   Em segundo lugar, é comum acreditar no completo sucesso do movimento feminista, no entanto, a disparidade entre classes sociais pode ser disfarçada ao passar uma falsa imagem ao público. Diversos artigos, blogues e jornais evidenciam os grandes progressos alcançados provenientes de manifestações e da luta contra o sexismo, negligenciando o facto de muitos direitos, como o direito à justiça, serem apenas aplicados a determinados grupos, normalmente pertencentes a classes mais favorecidas. Seguindo este raciocínio, empresas procuram, por exemplo, empregar um maior número de mulheres, revelando, aparentemente, a sua preocupação com a diversificação, mas atribuindo-lhes salários mais baixos que não correspondem ao trabalho realizado.

   Em virtude dos fatores mencionados, reafirma-se a ideia expressa no início do texto, a de que existe uma clara diferenciação quer nos direitos, quer nas oportunidades dadas às mulheres e aos homens. Assim, importa ressaltar os feitos e conquistas resultantes da força de vontade e determinação do sexo feminino, mas também alertar para o caminho a percorrer em países que não acompanharam este movimento e, ainda, a falsa imagem de uma sociedade totalmente justa.

 

Ana Sofia Alves Silva 12ºLH1 n.º4

2022-03-07

SER SOLIDÁRIO



 Estas são imagens da nossa biblioteca vistas do átrio de entrada da escola. Não se consegue chegar ao vidro tantos são os sacos com bens essenciais e roupa que a comunidade escolar entendeu dispor aos refugiados da Ucrânia, numa iniciativa da Associação de Estudantes.

2022-02-26

Ucrânia

 

Somos uma biblioteca escolar. 

Aqui só entendemos uma linguagem de paz. 

Quando nos desentendemos, os assuntos resolvem-se pela palavra. 

Quando nos ofendem com a guerra temos que o dizer.

Pela Ucrânia!


Taras Chevchenko (1814-1861), poeta ucraniano. 

O poema que publicamos é retirado daqui .


Testamento

Quando eu morrer, sepultai-me

Dentro da colina,

No meio da vasta estepe,

Da minha amada Ucrânia,

De onde posso contemplar,

Amplos campos ao redor

E ouvir as correntes do Dniper,

Descer com ruidoso rumor.

Quando ele levar da Ucrânia

O sangue vil, inimigo

Para o fundo do mar

Então deixarei os montes e prados –

Voarei às alturas do céu

Até Deus subirei

Dirigir-lhe as preces

Por enquanto, o Deus eu desconheço.

Sepultai-me, levantai-vos,

As férreas algemas quebrai

Com mau sangue inimigo

A liberdade regai.

Na família grande

Família livre e nova

Não deixam de recordar-me

Com palavra bondosa e boa.

2022-02-23

Gente que lê (2022)!


 Realizou-se hoje à tarde a fase municipal do concurso nacional de leitura. Ainda a sofrer as consequências da pandemia, a prova foi online em cada uma das bibliotecas escolares do concelho. A Ariane e a Joana, pelo secundário, a Sofia e o Rodrigo, pelo 3.ºciclo, foram os nossos representantes. Gente que lê, não podemos deixar de dar os parabéns ao seu esforço, e disponibilidade para participar em atividades  que não têm diretamente impacto na sua avaliação. Participação com mérito de todos, desta vez só a Joana, do 12CT1, segue em frente para a fase intermunicipal que se realiza no dia 20 de abril na Amadora.   Parabéns a todos os participantes, pois claro!

2022-01-26

Free reading

  Na biblioteca da Secundária expomos obras do nosso fundo documental em língua original inglesa.

Temos livros que vão da literatura juvenil e para adolescentes a grandes obras da literatura inglesa e norte-americana. Shakespeare, Mark Twain, Oscar Wilde ou George Orwell são alguns dos autores que se podem encontrar, além de diversos livros de short stories, poesia (aqui também com livros bilingues) e teatro que se poderão requisitar para ler em casa no último dia do semestre. Convidamos quem já lê em inglês e quem gostaria de tentar um primeiro livro a passar na biblioteca para ver o que é que temos para oferecer em regime de leitura livre.









 

2022-01-24

Parlamento dos jovens

 







Colaboramos com o Parlamento dos Jovens, uma proposta da Assembleia da República, que se desenvolve eta ano na escola. A biblioteca foi espaço de votação dos alunos do 3.ºciclo e do secundário.



Resultados apurados, na passada sexta-feira e hoje decorreram as sessões do secundário e terceiro ciclo respetivamente. As sessões de escola elegeram os representantes à sessões distritais e aprovaram as recomendações a apresentar nessas sessões.

sessão do secundário
sessão do 3.ºciclo

s




2022-01-14

Concurso Nacional de Leitura - 3.º ciclo


Realizou-se a fase de escola do 3.ºciclo do concurso nacional de leitura. A obra objeto de estudo foi Os livros que devoraram o meu pai de Afonso Cruz. A prova realizou-se na biblioteca e contou com a presença de alunos do 8.º e do 9.º anos. 

Foram poucos. Estamos com dificuldade em chegar aos alunos e em motivá-los para estas atividades que os tornam melhores. Os que resistem às pressões negativas destes tempos e aderem a estas propostas fora das aulas estão duplamente de parabéns!

2022-01-10

Começar o ano?

Ano Novo

Ficção de que começa alguma coisa!
Nada começa: tudo continua.
Na fluida e incerta essência misteriosa
De passar, flui em sombra a água nua.

 

Curvas do rio escondem só movimento.
O mesmo rio flui onde se vê.
Começar só começa em pensamento.

Fernando Pessoa, Poemas de Fernando Pessoa, 1921-1930 volume I, edição de Ivo Castro, Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2001

2021-12-22

Natal

                                         Litania para este Natal


                                Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto

                              num sótão     num porão      numa cave inundada

                              Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto

                              dentro de um foguetão reduzido a sucata

                              Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto

                               numa casa de Hanói ontem bombardeada


                               Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto

                                num presépio de lama e de sangue e de cisco

                                Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto

                                para ter amanhã a suspeita que existe

                                Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto

                                tem no ano dois mil a idade de Cristo


                                Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto

                                Vê-lo-emos depois de chicote no templo

                                Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto

                                e anda já um terror no látego do vento

                                Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto

                                para nos pedir contas do nosso tempo

                                                                                                                            1967

         David Mourão-Ferreira, Obra poética (1948-1995), Lisboa, Assírio & Alvim, p.324

2021-12-06

Olimpíadas da cultura clássica

 

Antero Valério, Ícaro






Pela primeira vez, a biblioteca da Secundária propõe aos alunos que adiram a esta iniciativa da Rede das Bibliotecas Escolares e do Centro de Cultura Clássica da Universidade de Lisboa. Podem concorrer a um desafio escrito ou a um desafio de Multimédia / Artes Visuais. Os temas são os de Dédalo e Ícaro e de Cassandra para o 3.º ciclo a que se acrescenta o de Antígona para o secundário. 

Temos alunos que gostam da mitologia grega, temos fundo documental e damos umas dicas aos alunos interessados. 

Inscrevam-se. Até dia 20.



 

Concurso nacional de leitura

 

Como habitualmente vai ser já no início de janeiro que realizaremos as provas de escola do Concurso Nacional de Leitura.


Na Secundária, as obras escolhidas foram, para o 3.º Ciclo, Os livros que devoraram o meu pai, de Afonso Cruz, e, para o secundário, Amadeo, de Mário Cláudio.
Boas leituras!





2021-12-05

Faça lá um poema!


        Escreve numa sala grande e quase
                                                Vazia
                                                Não precisa de livro nem de arquivos
                                                A sua arte é filha da memória
                                                Diz o que viu
                                                E o sol do que olhou para sempre o aclara
                                        Sophia de Mello Breyner Andresen, «Escrita II», Ilhas, Lisboa: Caminho, 2004, p.74


Temos vindo a convidar os alunos, através do Em Progresso e do facebook, a participar no concurso  Faça lá um poema

Concluímos a receção de poemas para o concurso na  próxima quarta-feira, dia 10. Os poemas, que não podem ter mais de 14 versos, devem ser entregues / enviados para a biblioteca da Secundária pelos alunos, ou pelos professores de Português, caso sejam os fiéis depositários da produção dos seus alunos.

Vicente, últimos dias!

 


Esta imagem, folha de rosto do auto de moralidade(que conhecemos como barca do Inferno) que Gil Vicente publicou em1517, é parte da conversa que temos vindo a ter com as turmas do 9.º ano, numa colaboração com os professores de Português, que nesta semana se conclui.

2021-11-10

Vicente: Mesa de trabalho

 

 

 

 

Organizamos o nosso fundo documental sobre Gil Vicente, em mesa de trabalho, para consulta dos alunos do 9.º ano que estão a estudar neste momento a Barca do Inferno.  

Disponham!





2021-11-08

a biblioteca como sala de visitas

 


Hoje, o espaço da biblioteca transformou-se para a apresentação formal do Agrupamento aos inspetores da Inspeção-Geral de Educação e Ciência realizada pela direção, no âmbito da avaliação externa que está a decorrer. A sessão contou com a presença de inúmeros convidados, nomeadamente do presidente da Câmara, da vereadora e diretor da educação, do presidente da Junta de Freguesia e de representantes da PSP e dos Bombeiros Voluntários de Caneças, da Sociedade Musical e da Associação dos Amigos de Caneças, bem como de alunos, de professores e das associações de pais que, assim, puderem vivenciar a sala mais bonita da escola.

2021-10-29

CONTOS 18 #MIBE 2021

 

 

 

 

 

 

 

 

No final do mês internacional das bibliotecas escolares (#MIBE2021), apresentamos o início de mais um conto de fadas de Hans Christian Andersen:

 

Sabem com certeza que na China o imperador é chinês e que todas as outras pessoas são chinesas também. Esta história aconteceu há muitos anos, mas é precisamente por isso que devem ouvi-la agora, antes que seja esquecida.

O palácio do imperador era o melhor do Mundo, todo ele construído da mais rara porcelana - não tinha preço, mas era tão frágil e delicado que era preciso tomar todo o cuidado quando se andava lá dentro. O jardim do palácio estava coberto de flores maravilhosas, nunca vistas em outro lado; as mais bonitas de todas tinham sininhos de prata, que tocavam para se saber sempre que passava alguém.

Para continuar a ler:

Hans Christian Andersen, «O rouxinol» in Contos de fadas. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1996, p. 64 (82-93 AND CON) 

 

2021-10-27

CONTOS 17 (#MIBE2021)

 



Continuamos durante este mês das bibliotecas escolares (#MIBE2021) a propor histórias que os alunos possam  recriar através do meio que entenderam. Hoje voltamos aos contos populares portugueses - um menino que nasceu sabe-se lá como, e com sabores a açafrão -. Começa assim: 

 

 

Era uma vez um rei que era casado, mas não tinha filhos, o que fazia com que ele e a sua mulher vivessem muito descontentes. Pediam constantemente a Deus que lhes desse um filho e, sabendo que havia uma velha de grandes virtudes, mandaram-na chamar ao palácio para lhe pedirem que rogasse a Deus que os ouvisse. Então a velha disse-lhes um dia que a rainha havia de ter uma criança, mas que, se essa criança fosse menino, quando fosse homem seria tão mau que faria a desgraça de seus pais, e que se fosse uma menina teria má sorte, mas que escolhessem eles o que queriam.


Adolfo Coelho, «O menino açafroado», Contos populares portugueses, Alfragilde: Leya, BIS, 2014, p.191 (821.134.3-34 COE CON)


2021-10-26

Contos 16 (#Mibe2021)

 

 

 

 

Hoje, no âmbito do #Mibe2021, não transcreveremos um excerto de um conto de fadas (neste caso, o da gata borralheira), mas sim a moralidade que desse conto, Perrault retira:


 Moralidade

A beleza é, para o sexo, o tesouro maior.

Jamais nos cansamos de a admirar.

Mas mas difícil de encontrar

As boas graças são, e têm mais valor.


E foi isso que com sua madrinha 

A Gata Borralheira ia aprendendo

A pontos de até vir a ser rainha

(E já a moral do conto é bom ir antevendo).


Vejam , beldades, pois; mais do que os penteados

As boas graças são, para amores conquistar,

O dom melhor que podem dar as fadas:

Sem elas, nada feito, com elas, é reinar!

 

Charles Perrault, Contos. Lisboa: Estampa 1977, p.129

2021-10-25

Contos 15 #MIBE2021

 


 

 

 

 

 Hoje, no nosso dia (#MIBE2021), o princípio do nosso conto é em verso:

 

 

                                            Pela ribeira de um rio

                                            que leva as águas ao mar,

                                            vai o triste de Avalor,

                                            não sabe se há de tornar.

                                            As águas levam seu bem,

                                           ele leva o seu pesar;

                                           e só vai, sem companhia, 

                                           que os seus fora ele leixar;

                                            ca quem não leva descanso

                                            descansa em só caminhar.

 

Almeida Garrett,  Cancioneiro, transcrito em Dine, Madalena, Contos tradicionais. Oito contos maravilhosos, Lisboa: Lisboa Editora, 2006, pp. 83-84

Dia da biblioteca escolar

 

 


 Hoje é o dia da biblioteca escolar. Continuamos a apresentar a nossa biblioteca aos novos alunos. O que estamos a promover e a apoiar (desde o #MIBE2021 ao concurso nacional de leitura ou ao programa de mentorias até à consulta do nosso catálogo online e ao modo como os nossos livros se apresentam: «A biblioteca é ilimitada e periódica». Se um eterno viajante a atravessasse em qualquer direção, verificaria ao cabo dos séculos que os mesmos volumes se repetem na mesma desordem (que, repetida, seria uma ordem: a Ordem). Esta elegante esperança alegra a minha solidão. (Jorge Luis Borges, Ficções, Lisboa: Quetzal, 2013, p.86)

 

2021-10-22

CONTOS 14 (#MIBE 2021)

 






Desta vez vai uma história inteira. Uma fábula, pois, neste #Mibe2021, para o fim de semana :


Uma raposa passou por um souto e sentiu piar um mocho; disse ela para si: 

-Ceia já eu tenho.

E foi muito sorrateira trepando pelo castanheiro em que estava piando o mocho, e filou-o.

O mocho conheceu a sorte que o esperava, e viu que não podia livrar-se da raposa sem ser por ardil. Disse então para ela:

- Ó raposa, não me comas assim como qualquer frango desses que furtas pelos galinheiros; tu também sabes andar à caça de altenaria, e é preciso que todos o saibam. Agora que me vais comer, grita bem alto: «Mocho comi!»

A raposa levada por aquela vaidade, gritou:

- Mocho comi!

- A outro sim, que nenja a mim! replicou-lhe o mocho caindo-lhe de entre os dentes e voando pelo ar fora, livre de perigo.

Teófilo Braga, «Fábula da raposa e do mocho», Contos tradicionais do povo português volume II, Lisboa: Publicações Dom Quixote, p. 247 (821.134.3-34 BRA CON)


2021-10-21

CONTOS 13 (#MIBE2021)

 




Nesta semana deu-nos, comemorando o #MIBE2021,  para lembrar contos com a bicharada. 



Estava muito agradável no campo. O ar rescendia a verão; o milho estava amarelo; a aveia estava pronta a ser ceifada; as medas de feno nos prados pareciam pequenas colinas de erva e a cegonha passeava por cima delas com as suas longas pernas vermelhas. A toda a volta dos campos havia bosques e florestas com fundos lagos de água fresca. Sim, estava mesmo muito agradável no campo. E, brilhando ao sol, podia ver-se uma velha mansão rodeada por um fosso. Grandes folhas de azedas cresciam nas paredes até à água; algumas eram tão grandes que uma criança podia ficar de pé debaixo delas. À sombra podia-se até pensar que se estava numa florestazinha secreta e primitiva.

Era aí que uma pata chocava os seus ovos no ninho.

Hans C. Andersen, «O patinho feio», Contos de fadas, Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1996, p.77 (82-93 AND CON)

2021-10-20

CONTOS 12 (#MIBE2021)

 



 

 

 

Conheceis bem este conto que apresentamos no âmbito do #Mibe2021:

 

 Era uma vez uma carochinha que andava a varrer a casa e achou cinco réis e foi logo ter com uma vizinha e perguntou-lhe: «Ó vizinha, que hei de eu fazer a estes cinco réis?»  Respondeu-lhe a vizinha: «Compra doces.» «Nada, nada que é lambarice.» Foi ter com outra vizinha e ela disse-lhe o mesmo; depois foi ter com outra que lhe disse: «Compra fitas, flores, braceletes e brincos e vai-te pôr à janela e diz:

                                                Quem quer casar com a carochinha

                                                Que é bonita e perfeitinha?»

Adolfo Coelho, «História da carochinha», Contos populares portugueses, Alfragilde: Leya, BIS, 2014, p.43 (821.134.3-34 COE CON)

2021-10-19

CONTOS 11 (#MIBE2021)

 

 

 

Este é o mês internacional das bibliotecas escolares (#Mibe2021) e voltamos às histórias que temos na nossa biblioteca para vos contar. Hoje, de novo, uma história africana que nos fala de um grande lago situado numa terra distante. 

Aí...

No fundo do remoinho vive uma enorme serpente pitão prateada, com o corpo enrolado em espiral, piscando os olhos quando os raios do sol penetram na água como setas,com a sua língua bífida a agitar-se tremulante - uma bela e terrível serpente pitão que é o guardião do lago.

Mas esta não é uma serpente vulgar, pois debaixo da sua pele fria e húmida escondem-se poderes curativos. Poderes que curam todas as doenças e todas as dores de homens e mulheres, poderes que curam todos os que têm coragem suficiente para a visitarem no seu esconderijo no fundo do lago.

«O guardião do lago» in As mais belas fábulas africanas, Carnaxide: Editora Objectiva, 2013, pp.207-208 (cota: 82-93 --- MAI)

2021-10-18

HOJE NÃO É DIA PARA CONTOS DE FADAS

 
Interrompemos por hoje o nosso propósito de partilhar pedaços de histórias do nosso fundo documental para lembrar que o Mundo decidiu acabar com a pobreza extrema até 2030 e que 17 de outubro é o dia em que esse desígnio de erradicar a pobreza é evocado

2021-10-15

CONTOS 10 (#Mibe2021)

 

 

 

 

 

Era uma vez um rei que vivia muito triste por não ter filhos e mandou chamar três fadas para que fizessem com que a rainha lhe desse um filho. As fadas prometeram-lhe que os seus desejos seriam satisfeitos e que elas viriam assistir ao nascimento do príncipe. Ao fim de nove meses, deu a rainha à luz um filho e as três fadas fadaram o menino. A primeira fada disse: «Eu te fado para que sejas o príncipe mais formosos do mundo.» A segunda fada disse: «Eu te fado para que sejas muito virtuosos e entendido.» A terceira fada disse: «Eu te fado para que te nasçam umas orelhas de burro.»

Adolfo Coelho «O príncipe com orelhas de burro», Contos populares portugueses, Alfragilde: Leya, BIS, 2014, p.180 (821.134.3-34 COE CON)

2021-10-14

Contos 9 (#MIBE2021)

 








Estava certo dia o mansa (rei) do Mali, Naré Maghan Kon, também chamado "leão do Mali", a descansar na sua tenda, quando dois caçadores, acompanhados de uma jovem corcunda e feia, se aproximaram e pediram autorização para lhe entregar uma prenda.

 - Grande Mansa, vimos de uma terra onde o búfalo terrível devastava tudo. Nós matámo-lo, mas o seu espírito encarnou nesta mulher, que é feia, mas é nobre e corajosa, por isso a trouxemos para você casar com ela, pois o filho que ela lhe der tornará grande o Mali. O nome dela é Sagolom - disse um dos caçadores.

- O filho de um leão e de um búfalo serão poderosos de verdade - sussurrou o djali bá (conselheiro) ao Mansa Maghan.

J. Carlos M. Fortunato, «A lenda de Sundiata Keita», Lendas e contos da Guiné-Bissau, Ajuda Amiga/MIL/DG Edições, 2017 (821-134.3-34 FOR LEN)