2021-03-13

Do combate à pneumónica

 

Sobre a gripe espanhola ou pneumónica um relatório de Ricardo Jorge, em 1918, refere que “não se oferece profilaxia efetiva e eficaz a exercer contra tal epidemia que não seja a higiene geral e assistência dos atacados preferentemente em hospital de isolamento” (O Comércio..., 25 set. 1918, p.1). Mais tarde, as feiras e os mercados foram proibidos e as escolas só iniciaram o ano letivo depois do dia 28 de novembro. Cada município foi dividido em zonas médicas e farmacêuticas, e as receitas nas farmácias eram grátis para os pobres. As farmácias funcionaram em horário alargado e deveriam estar fornecidas com os medicamentos necessários: aspirina, sais de quinino, de amónia e purgantes; cafeína, ampolas de óleo de cânfora, sementes de mostarda e de linhaça, entre outros. E às “pessoas caritativas e remediadas” era-lhes pedido que criassem “comissões de socorro” para “acudir aos necessitados” (O Comércio..., 1 out. 1918, p.2). Nesse ano não há referência ao uso de máscaras faciais por parte dos profissionais de saúde em Portugal; apenas uma notícia sobre São Francisco, na Califórnia, cujos “habitantes trazem umas máscaras apropriadas, tanto na rua, como nos estabelecimentos comerciais, para os preservarem dos efeitos dos micróbios do ar” (O Comércio..., 17 dez. 1918, p.1).»

 

Maria Antónia Pires de Almeida, As epidemias nas notícias em Portugal: cólera, peste, tifo, gripe e varíola, 1854-1918

In https://www.sanarmed.com/artigos-cientificos/as-epidemias-nas-noticias-em-portugal-colera-peste-tifo-gripe-e-variola-1854-1918   Consultado em março de 2021

 

2021-03-02

Do que se faz depois

 

Passou um ano desde o primeiro caso de Covid-19 em Portugal.

Agora, voltamos a ver os casos a diminuir e a ter esperança num desconfinamento breve e seguro. Mais uma vez, sonhamos com o fim da pandemia, pelo que também valerá a pena ter presente a lição histórica sobre como procedem as pessoas em fins de pandemia. Jean Delumeau, voltamos a este autor, informa-nos das reações das comunidades em dois períodos diferentes da História:

Em Marselha, desde novembro de 1720, era uma verdadeira “mania”: «Não ficamos menos surpresos, naquele tempo, de ver uma quantidade de casamentos no povo […] O furor de casar-se era tão grande que um dos casados que não tivera a doença do tempo desposava muito bem sem dificuldade o outro cujo bubão mal se fechara; assim, viam-se muitos casamentos empestados».

No século XIV, no final da Peste Negra também parece que o medo rapidamente se esquecia, como dá notícia um contemporâneo:

Quando a epidemia, a pestilência e a mortalidade tinham cessado, os homens e as mulheres que restavam casavam-se sucessivamente. As mulheres sobreviventes tiveram um número extraordinário de filhos […] Ai! Dessa renovação do mundo, o mundo não saiu melhorado. Os homens foram depois ainda mais cúpidos e avaros, pois desejavam bem mais do que antes; tornados mais cúpidos, perdiam o repouso nas disputas, nos ardis, nas querelas e nos processos.

In Jean Delumeau, História do medo no Ocidente, 1300-1800 uma cidade sitiada, São Paulo: Companhia das Letras, 1990, p.150

Filosofia na escola



Os alunos de  Filosofia das turmas CT1, CT4 e CT5 do 11.º ano estão a construir,  desde o princípio do ano, um mural  intitulado "A Filosofia na Escola". Neste mural colaborativo, entre turmas, os alunos participam respondendo a questões, vídeos, textos, publicação de trabalhos.

Aprender e ser


 

Os alunos do 11.ºAI do curso profissional de Apoio à Infância desenvolveram, na disciplina de Psicologia, desde o início do ano, este mural, com a publicação de vídeos, pequenas questões, imagens, nuvens de palavras que abordam variados temas desde a Aprendizagem Social, a Discriminação, os Direitos Humanos. 





2021-02-25

Da importância da medicina

 

Em situação de epidemia, a medicina é chamada e, mesmo em tempos recuados, o poder político pede a opinião aos médicos. É o caso do rei de França, Filipe VI, que pede um parecer à Faculdade de Medicina de Paris, que torna público, em 1348, no auge da Peste Negra, um Compendium de Epidemia.

E mesmo no século XIV, numa época em que a medicina ainda é muito incipiente, o médico da corte papal de Avinhão, Guy de Chaulliac, reconheceu «a existência das duas formas de doença, a pulmonar e a bubónica».De qualquer modo, a medicina ainda não tinha condições de encontrar uma cura para a Peste Negra. Os remédios principais que são aplicados individualmente são a flebotomia [sangria] e os cautérios [queima] aplicados aos bubões, bem como algumas prescrições farmacológicas. A maior parte das prescrições […] é de tipo preventivo. O conselho de fugir à primeira manifestação da epidemia e de só regressar quando terminasse era apenas uma das formas extremas. No plano coletivo, tentam-se formas ainda insuficientes de isolamento das doentes e das mercadorias provenientes das zonas suspeitas e tomam-se medidas de limpeza viradas para a purificação dos «ares» corruptos.

Maria Conforti, «A Peste Negra» in Idade Média – Castelos, mercadores e poetas, dir. Umberto Eco, Alfragilde: Dom Quixote, 2014, p.538

2021-02-22

Do não acreditar na doença

 Com um ano de pandemia, já vimos um pouco de tudo. E do que vemos hoje muito já nos foi contado pela História. por exemplo, Jean Delumeau na sua História do Medo no Ocidente, conta-nos da incredulidade dos parisienses face à epidemia de cólera que grassava em Paris em 1832, a partir de um testemunho contemporâneo:

Como era a terceira quinta-feira da quaresma, como fazia um belo sol e um tempo encantador, os parisienses agitavam-se com tanto mais jovialidade nos bulevares, onde se viram até máscaras que, parodiando a cor doentia e a figura desfeita, zombavam do temor do cólera e da própria doença. Na noite do mesmo dia, os bailes públicos foram mais frequentados do que nunca: os risos mais presunçosos quase encobriam a música brilhante; as pessoas excitavam-se muito com o chahut, dança mais que equívoca; devorava-se toda a espécie de sorvetes e de bebidas frias quando, de súbito, o mais alegre dos arlequins sentiu demasiado frescor nas pernas, tirou a máscara e revelou para espanto de todo mundo um rosto de azul violeta.

in Jean Delumeau, História do Medo no Ocidente 1300-1800 uma cidade sitiada, São Paulo: Companhia das Letras, 1990, p.119

2021-02-16

Do toque dos sinos, Miguel Torga

 

Voltamos, neste novo confinamento, a textos que se relacionam com epidemias.

Em Novos contos da montanha, Miguel Torga mostra-nos um jovem a recuperar da doença (a pneumónica, ou gripe espanhola) que terá provocado mais de 100 000 óbitos no nosso país. O conto começa assim:

 

 

«– A Lucinda? – perguntou o Pedro, coberto de suor, lívido, a acabar de sair de uma modorra de morte.

– Está boa… – respondeu a mãe, com a naturalidade que pôde.

– E por que não vem cá?

– Isto pega-se, filho. Ela bem queria; eu é que não consinto…

Uma onda de tristeza, que lhe embaciou a imagem da namorada, atravessou os olhos febris do rapaz. Depois, exausto do esforço de vir à tona do poço, desceu as pálpebras e caiu na sonolência em que vivia há dias.

No princípio da epidemia, de ouvido atento, ia vigiando o mundo através do dobrar do sino. O som a entrar no quarto abafado e ele a inquirir inquieto:

– Quem foi, minha mãe?

– O Belmiro.

– O pai ou o filho?

– O pai.»

Miguel Torga, «Renovo», Novos contos da montanha, in Contos, 5.ª edição conjunta, Alfragilde, Dom Quixote, 2009, p.453

2021-01-26

Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

 

https://www.memoshoa.pt/27-janeiro

 

Começam por associar um povo, uma comunidade, a um mal. De um erro ou de uma falta de dois ou três transformam em característica geral. Aproveitando desconfianças antigas, conseguem apoio para generalizar um discurso de ódio. Depois, se nos apanham distraídos, ganham uma preponderância que nos envergonha, mas, pior ainda, podem voltar ao mesmo. A memória é também o nosso combate.



2021-01-02

Dante, Divina Comédia em imagens

Nos700 anos da morte de Dante Alighieri, a Galeria degli Uffizi de Florença apresenta online uma série de ilustrações da Divina Comédia realizadas por Federico Zuccari, entre 1586 e1588 disponíveis neste endereço.

A Divina Comédia é livro que alguns dos nossos alunos (nomeadamente os do 10.ºano) vão lendo no âmbito do projeto de leitura da disciplina de Português. As ilustrações podem ser um bom apoio a essas leituras.

https://www.uffizi.it/mostre-virtuali/dante-istoriato-inferno#5 
 

 

A imagem que reproduzimos corresponde ao momento em que Dante e Virgílio atravessam a porta do Inferno, no início da sua viagem: Por mim vai-se à cidade que é dolente, / por mim se vai até à eterna dor, / por mim se vai entre a perdida gente. / Moveu justiça o meu supremo autor: / divina potestade fez-me e tais / a suma sapiência, o primo amor. / Antes de mim não houve cousas mais / do que as eternas e eu eterna duro. / Deixai toda a esperança, vós que entrais./ Estas palavras em letreiro escuro / escritas vi por cima de uma porta; / e disse: «Mestre, o seu sentido é duro.» Dante, A Divina Comédia, canto III, tradução de Vasco Graça Moura, Venda Nova: Bertrand, 1997, p.47

 

 

 

2021 Ano Internacional dos Trabalhadores de Saúde e Cuidadores

OMS Síria,in https://news.un.org/pt/story/2020/11/1732632

 

 Por maioria de razões, que o ano passado mostrou amiúde, os trabalhadores de saúde merecem o nosso reconhecimento. Nesse sentido, a 73.ª Assembleia Mundial da Saúde reconheceu o “sacrifício e dedicação de milhões de funcionários do setor” à frente do combate à pandemia e declarou 2021 como o Ano Internacional dos Trabalhadores de Saúde e Cuidadores. Mais informação aqui.

2021 Ano Internacional da Paz e da Confiança

 

 

 in  https://news.un.org/pt/story/2020/10/1730642   


 

Pelo menos, um ano sem guerras. As Nações Unidas proclamaram que este ano seria um ano em que os conflitos deviam ser resolvidos a partir da regulação internacional e da confiança entre estados.

Ainda há pouca informação em português sobre esta resolução, mas pode encontrar informação aqui.


2021 Ano Internacional das frutas e legumes

 

 «O Diretor-Geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), Qu Dongyu, lançou na última terça-feira, 15 de dezembro, o Ano Internacional das Frutas e Legumes 2021 (IYFV) com um apelo para melhorar a produção alimentar saudável e sustentável através da inovação e tecnologia e para reduzir as perdas e desperdícios alimentares.»

Ler mais aqui.

2021 Ano Internacional para a eliminação do Trabalho Infantil

 

Young Miners, 1911
Lewis Hine, Jovens mineiros,
South Pittston Pensilvannia, janeiro 6, 1911 
in "Children at Work, 1908-1912," EyeWitness to History, www.eyewitnesstohistory.com (2000).[consultado em janeiro 2021]
 
 
A fotografia que reproduzimos tem 100 anos. O autor, Lewis Hine, através da fotografia, denunciou o trabalho infantil nos Estados Unidos e contribuiu com essa ação para a criação de legislação que impedisse o trabalho infantil. 
Mas essa iniquidade continua a existir.
A resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas que declara 2021 Ano Internacional para a eliminação do Trabalho Infantil destaca os compromissos dos Estados membros de “tomar medidas imediatas e efetivas para erradicar o trabalho forçado, acabar com a escravidão moderna e tráfico de seres humanos e assegurar a proibição e eliminação das piores formas de trabalho infantil, incluindo o recrutamento e uso de crianças-soldados e até 2025 acabar com o trabalho infantil em todas as suas formas”.
Um assunto a ter em consideração na escola durante este ao.
Informação aqui.