2015-02-21

fizeram-se poemas em Caneças


Muitos dos nossos alunos participaram no concurso Faça lá um Poema, uma iniciativa do Plano Nacional de Leitura . E todos merecem o nosso aplauso. Os poemas vencedores de cada um dos níveis de ensino foram:


-  do 1.º Ciclo, Daniel Alves, do  4.ºA da Escola Maria Costa:

A minha Escola

A minha escola é um mundo!...
É um mundo de saber,
Onde aprendo a conhecer
Tudo o que preciso de aprender!...

A minha escola é um mundo!...
É feito à minha medida,
Onde tenho muitos  amigos,
Uns novos, outros mais antigos.

A minha escola é um mundo!...
É feito por professores
Que me transmitem valores.
Sem eles não tinha este mundo!
 

 do 2.º Ciclo, Sara Neves, do 6.ºD:

A Amizade

Para mostrar a amizade
Nem todos são iguais:
Mas se a amizade for sincera
É coisa boa demais.

Todos nós temos amigos
Que nos tratam com carinho.
Damos a nossa amizade,
Nem que seja com miminho.

A amizade na vida
É como o sol na Primavera.
Aquece o nosso coração
Desde que seja sincera.

Ser amigo e ter amigos
É a melhor coisa da vida.
Darmos a nossa amizade
Sem pedir contrapartida.
 



 do 3.º Ciclo, Sofia Figueiredo, do 7.ºD

O que é o amor?
 
Amor,
Nunca senti nem fiz sentir
Não sei se me faz chorar
Ou se me faz rir
Não sei se vem do coração
Ou se é apenas uma ilusão

Dizem que o amor
Só acontece quando deixamos de ser perfeitos
Sei que não sou perfeita
Mas ainda não aconteceu
Por isso não sei o que é o amor
Mas será que já alguém percebeu?!

O Amor é…
Alguém que está comigo
Alguém que me entende
Alguém que não me julga
E que não me ofende
Não um príncipe encantado
Mas alguém que esteja sempre ao meu lado

O Amor é isto para mim.
E para ti?
Também é assim?


 do Secundário, Tatiana Pereira, do 11.ºB:

Inspiro-me em ti

Pego na caneta mas as palavras gelam
E, no papel, versos soltos permanecem
Tão distantes quanto os nossos corpos
Tão doces, frutos deste sentimento.
Meu amor,
És a segurança que me falta,
O Verão maravilhoso que não se esquece...
Mi sem si não é nem sol
Eu sem ti é rouco o rouxinol!
O silêncio quebra-se
As palavras ardem de paixão
Adoro-te,
Como um músico adora a sua canção



2015-02-12

José Gomes Ferreira em pág1na: o texto desta quinzena



– Que a paz e a estupidez sejam contigo. Vens preparado para a operação?

– Que operação? – interrogou João Sem Medo, suspeitoso.

O descabeçado, de cigarrilha na boca do estômago, expôs-lhe então com paciência burocrática:

– Ninguém pode seguir o caminho asfaltado que leva à Felicidade Completa sem se sujeitar a este programa bem óbvio. Primeiro: consentir que lhe cortem a cabeça para não pensar, não ter opinião nem criar piolhos ou ideias perigosas. Segundo e último: trazer nos pés e nas mãos correntes de ouro…

João Sem Medo ouriçou-se numa reação instintiva:

– Nunca! Bem se vê que não tens a cabeça no seu lugar.

– Realizada esta insignificante intervenção cirúrgica – prosseguiu o monstro, imperturbável –, ninguém te impedirá de gozar o resto da vida na boa da pândega e da abastança. E tudo de graça. Porque quem não tem cabeça não paga nada.

Esta gracinha parva ainda convenceu mais o nosso herói a obstinar-se na recusa:

– Não, nunca. Então prefiro o outro caminho.

– Palerma! – lamurinhou o guarda com os olhos do peito marejados de lágrimas sinceras. Vais passar fome, sofrer dias de terror aflito…

– Deixá-lo. Prefiro tudo a viver sem cabeça. Nem calculas a falta que ela me faz.

– Não te faz falta nenhuma – contrariou o monstro, que acrescentou este comentário imbecil: – Pelo contrário: evitas o trabalho de ir ao cabeleireiro de quinze em quinze dias.

Mas ante uma careta de João Sem Medo apressou-se a afrouxar-lhe a cólera com esta proposta:

– Ainda tens talvez outra hipótese. Invocar o parágrafo 100 do artigo 4579 do Regulamento Interno e requerer a concessão que todos os Homens de Representação Pública costumam obter automaticamente em virtude das exigências estéticas do seu cargo. Isto é: em certos casos especiais, os cirurgiões, em vez de degolarem os felizardos, sugam-lhes os cérebros por palhinhas, deixando a casca por fora intacta, para inglês ver… Oh!, espera, espera! Não te vás embora ainda. Escuta. Também podes requerer a substituição da cabeça. Por uma melancia, por exemplo. Ou uma bola de futebol que é o enxerto mais vulgar. Ou uma bolinha de ténis que fica sempre tão bem nas pessoas finas, elegantes, esbeltas… Espera. Ouve.

 

in José Gomes Ferreira, Aventuras de João Sem Medo, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1991, pp.18-20

2015-02-06

António Lobo Antunes em pág1ina: o texto desta quinzena



 

 
 
 
E
ra uma vez um homem de nome Luís a quem faltava a vista esquerda, que permaneceu no Cais de Alcântara três ou quatro semanas pelo menos, sentado em cima do caixão do pai, à espera que o resto da bagagem aportasse no navio seguinte. Dera aos estivadores, a um sargento português bêbedo e aos empregados da alfândega a escritura da casa e o dinheiro que trazia, vira-os içar o frigorífico, o fogão e o Chevrolet antigo, de motor delirante, para uma nau que aparelhava já, mas recusou separar-se da urna apesar das ordens de um major gorducho (Você nem sonhe que leva essa gaita consigo), um féretro de pegas lavradas e crucifixo no tampo, arrastado tombadilho fora perante o pasmo do comandante que se esqueceu do nónio e levantou a cabeça, tonta de cálculos, para olhá-lo, no momento em que o homem de nome Luís desaparecia no porão e encaixava o morto sob o beliche, como os restantes passageiros faziam aos cestos e às malas. Depois estendeu-se no cobertor, poisou a nuca nas palmas e entreteve-se a seguir o crochet meticuloso das aranhas e o cio dos ratos nas vigas do teto cobertas de caranguejos e percebes, sonhando com os braços noturnos das negras carecidas. Ao segundo almoço conheceu um reformado amante de biscas e suecas e um maneta espanhol que vendia cautelas em Moçambique chamado Dom Miguel de Cervantes Saavedra, antigo soldado sempre a escrever em folhas soltas de agenda e papéis desprezados um romance intitulado, não se entendia porquê, de Quixote, quando toda a gente sabe que Quixote é apelido de cavalo de obstáculos, e ao fim da tarde puxavam o caixão e batiam trunfos lambidos no tampo de verniz, evitando tocar no crucifixo porque dá azar às vazas e altera as manilhas, e erguendo os sapatos de fivela sempre que os balanços do barco derramavam na sua direção o vomitado dos vizinhos, que adquirira um palmo de altura e os obrigava, de meias ensopadas, a agarrarem-se às pegas a fim de que o cadáver não lhes escapasse, à deriva num caldo em que flutuavam lavagantes, transportando consigo os valetes e os ases da partida decisiva.

O homem de nome Luís habitava com o pai no Cazenga quando uma patrulha disparou sobre o velho, de forma que assim que os amigos do dominó lho trouxeram embrulhado em rasgões de lençol, só com uma madeixa de cabelo ruço de fora, o deixaram na toalha do jantar, em cima dos talheres e dos pratos, e se foram a discutir um dobre de seis, desceu o beco até à agência funerária que uma granada rebentara, entrou pelos vidros estilhaçados da montra e escolheu uma urna no meio das muitas que sobejavam na loja porque os corpos se decompunham nas praças e nas ruas sem que ninguém se afligisse com eles, salvo os cachorros vagabundos e os ladrões de farrapos.

 

in António Lobo Antunes, As Naus, Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1988, pp.19-21

2015-02-05

mistérios da biblioteca 2




Resolvido o primeiro desafio, temos mais escritores mistério para descobrir até 20 de fevereiro.
Quem são eles?


D
Ele, em si, tinha várias vidas. E escrevia com o nome de todas elas. Trata-se de um poeta português que morreu em 1935. Em vida, só viu um livro publicado, resultado de um concurso onde obteve o segundo prémio. Mas muitos dos seus poemas e textos em prosa puderam ser lidos em muitas revistas do seu tempo, algumas, como Orpheu, sob a sua direção.

Agora, as edições da sua obra multiplicam-se e são objeto de leitura e de estudo na Escola. Por isso, exemplares deste autor não faltam nas nossas estantes.
 


E
A personagem principal do grande livro deste autor andava num cavalo (Rocinante de seu nome) pelos campos da Mancha, acompanhado por um seu escudeiro, montado num burro. Buscava e procurava viver as grandes aventuras dos romances de cavalaria e um dos mais célebres episódios é o da sua luta contra moinhos de vento ou a vã tentativa de viver no passado.
Este autor espanhol, que viveu na transição dos séculos XVI e XVII, escreveu também ficção e teatro, mas é essa obra sobre o ingenioso hidalgo que se pode encontrar nas nossas estantes em edições diversas, nomeadamente uma em castelhano.



F
Antigo, antigo é este poeta grego. Tão antigo que não se sabe se existiu mesmo, se era cego, se andava pobremente pelos caminhos, dizendo ou cantando os seus textos. De facto, aqueles textos podem ser, afinal de contas, o resultado de múltiplas invenções de muitas gentes que constituem a tradição da literatura oral grega da antiguidade. Certo, certo, é que as obras que lhe são atribuídas não só ajudaram a fixar a língua grega, como constituem um marco de universalidade apreciado, comentado e conhecido há mais de 25 séculos.
Ou não sabemos todos a história daquele célebre calcanhar que era a fraqueza de quem o tinha?


Mistérios da Biblioteca 1





Quem são os escritores do primeiro mistério?



A: Cesário Verde: O Livro de Cesário Verde, Poemas.


Os livros de Cesário Verde encontram-se na estante da literatura em língua portuguesa, classe 821.134.3


B: Mark Twain: As aventuras de Tom Sawyer; The Adventures of Tom Sawyer; As Aventuras de Huckleberry Finn; O príncipe e o pobre.

Os livros de Mark Twain encontram-se na estante da literatura juvenil, classe 82-93.

C: Camilo Pessanha: Clepsidra. O livro de Camilo Pessanha encontra-se na estante da literatura em língua portuguesa, classe 821.134.3.


Quem descobriu o primeiro mistério:

Todos os participantes descobriram os autores mas não indicaram corretamente as obras existentes na biblioteca.

 Melhor resposta: Bruno Vitória, n.º3 8.ºC


as obras destes autores podem ser vistas na mesa de entrada da sala de leitura da Biblioteca.

 de 02.02 a 13.02