2021-10-13

CONTOS 8 (#MIBE2021)

 

 


  A partir da temática do MIBE 2021 deste ano Contos de fadas e contos tradicionais de todo o mundo”, estamos a partilhar convosco excertos de contos que se podem encontrar no nosso fundo documental. 

 

 

 

Era uma vez vinte e cinco soldados de chumbo, todos irmãos, porque tinham sido todos feitos da mesma colher de cozinha. Tinham armas aos ombros e olhavam em frente, muito elegantes nos seus uniformes encarnados e azuis.

 -  Soldados de chumbo! - foi a primeira coisa que ouviram neste mundo, quando levantaram a tampa da caixa onde estavam.

Um rapazinho tinha dado esse grito e batido as palmas; tinham-lhos dado como prenda de anos, e ele colocou-os em cima da mesa. Os soldados eram todos iguais uns aos outros - exceto um, que só tinha uma perna.

Hans C. Andersen, «O firme soldado de chumbo», Contos de fadas, Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1996, p.57 (82-93 AND CON)

2021-10-12

Contos 7 #MIBE2021

 


 

 

 

 

 A partir da temática do MIBE 2021 deste ano Contos de fadas e contos tradicionais de todo o mundo”, estamos a partilhar convosco excertos de contos que se podem encontrar no nosso fundo documental.  

 

 

 

Era uma vez um homem casado; a mulher dizia que morria por ele, e que Deus nunca dera a ninguém um marido assim. O homem fiava-se naquelas palavras, e quando andava no campo a trabalhar dizia para o criado:

 - Não há ninguém que tenha uma mulher como a minha.

O criado disse que não era bom experimentar, porque podia ficar enganado. Disse o patrão:

 - Agora é que desafio todo o mundo para me mostrarem uma mulher melhor do que a minha.

Teófilo Braga, «Alegria da viúva», Contos tradicionais do povo português volume I, Lisboa: Publicações Dom Quixote, p. 202 (821.134.3-34 BRA CON)

 

2021-10-11

Contos 6 (#MIBE2021)

 

 


 
A partir da temática do MIBE 2021 deste ano Contos de fadas e contos tradicionais de todo o mundo”, estamos a partilhar convosco excertos de contos que se podem encontrar no nosso fundo documental.

 

 

 

Uma hora antes da alvorada, Dinarzade acordou e não deixou de fazer o que a irmã lhe recomendara. «Minha querida irmã», exclamou ela, «se não estais a dormir, enquanto esperamos a manhã, suplico-vos que conteis uma dessas histórias agradáveis que sabeis. Ai! Decerto será a última vez que terei esse prazer.»

Scheherazade, em vez de responder à irmã, virou-se para o sultão: «Senhor», disse ela, «Vossa Majestade quer-me permitir que dê essa satisfação à minha irmã?» «De boa vontade», respondeu o sultão. Então Scheherazade disse à irmã para a ouvir e, dirigindo a palavra a Schahriar, começou assim:

Senhor, havia antigamente um mercador…

As mil e uma noites I (tradução da versão francesa de Antoine Galland). Mem Martins: Publicações Europa-América, pp.29-30 (821.411.21-34 --MIL)

 

2021-10-08

Contos 5 (#Mibe2021)

 

 


A partir da temática do MIBE 2021 deste ano 
Contos de fadas e contos tradicionais de todo o mundo”, estamos a partilhar convosco excertos de contos que se podem encontrar no nosso fundo documental. 

Apresentamos hoje o princípio de uma lenda berbere da criação:

 

No começo havia apenas um homem e uma mulher, e eles não viviam sobre a terra, e sim embaixo dela. Foram as primeiras pessoas do mundo e nenhuma das duas sabia que a outra era de um sexo diferente. Certo dia, ambas foram ao poço beber água. O homem disse: 

 - Deixe-me beber.

E a mulher respondeu:

- Não, eu vou beber primeiro. Cheguei aqui primeiro.

O homem tentou empurrá-la para o lado. Ela o golpeou. Lutaram.  


Leo Phoebius e Douglas C. Fox, A Gênese africana, contos, mitos e lendas de África, São Paulo: Landy, 2005, p.49 (398.2(6) FOX GEN)

 

2021-10-07

Contos 4 (#Mibe2021)

 


A partir da temática do MIBE 2021 deste ano Contos de fadas e contos tradicionais de todo o mundo”, estamos a partilhar convosco excertos de contos que se podem encontrar no nosso fundo documental.




Era uma vez uma princesa que costumava pentear-se sempre à janela do seu palácio que deitava para o jardim. Todos os dias vinha um coelhinho branco, muito lindo, passar debaixo da janela. Uma vez estando-se a princesa penteando, veio o coelho e levou-lhe o pente. Passados dias, estando outra vez a princesa a pentear-se, veio o mesmo coelho e levou-lhe o laço. Passados mais uns dias, tendo a princesa tirado um anel e posto na janela, o coelho tornou a aparecer e levou-o.

«O coelhinho branco» Contos tradicionais. Oito contos maravilhosos (edição de Madalena Dime). Lisboa: Lisboa Editora, 2006 (82-93 DIM OIT)

 

2021-10-06

Contos 3 (#Mibe2021)

 

 

 

 

 

A partir da temática proposta para este ano Contos de fadas e contos tradicionais de todo o mundo”, estamos a partilhar convosco excertos de contos que se podem encontrar no nosso fundo documental. Nesta história fala-se de uma princesa do Norte muito infeliz:

A princesa do Norte ia empalidecendo. Uma estranha tristeza a roía por dentro, apesar de nada aparentemente lhe faltar.

Ofereceu-lhe o marido anéis de safiras, diademas de brilhantes, pulseiras lavradas, colares de pérolas. Nem um sorriso lhe assomava aos lábios.

Ofereceu-lhe roupas esplêndidas, frascos de cristal com aromas excitantes, vasos de plantas exóticas, pássaros com todas as cores do arco-íris.

Levou-a até à beira-mar, às praias onde o azul do mar se junta ao azul do céu.

Nem um sorriso lhe assomava aos lábios

...

Cada dia se encontrava mais abatida a princesa. Deixara de regar a sua roseira preferida. Já mal se levantava da cama.

Foi então que um velho prisioneiro, que com ela viera das terras do Norte, pediu para se abeirar do rei, pois afirmava que só ele sabia curar a doença da sua menina.

 – Eu sei porque sofre a princesa. Na nossa pátria, nestes dias de Inverno, cobre-se a paisagem de neve. Quem com ela cresceu, nunca conseguirá esquecê-la. A princesa possui o vosso amor e uma fortuna imensa mas tem saudades da neve.

 – Podes estar certo – admitiu o rei.– Mas como queres tu que eu arranje neve quando no Algarve o sol brilha Inverno e Verão e as temperaturas sempre são amenas? Queres que vá a serras longínquas buscar neve?

Luísa Ducla Soares, «A lenda das amendoeiras», Lendas de mouras. Porto: Civilização Editora, 2005, pp.9-12 (cota 82-93 SOA LEN)

 

2021-10-04

CONTOS 2 (#Mibe2021)

 


 

 

  

A partir da temática proposta para este ano Contos de fadas e contos tradicionais de todo o mundo”, estamos a partilhar convosco excertos de contos que se podem encontrar no nosso fundo documental. O conto de fadas que vos trazemos hoje começa assim:


 

 Era uma vez um príncipe que queria casar com uma princesa - mas tinha de ser uma princesa verdadeira. Por isso foi viajar pelo mundo fora para encontrar uma, mas havia sempre qualquer coisa que não estava certa. Viu muitas princesas, mas nunca tinha a certeza de serem genuínas; havia sempre qualquer coisa, isto ou aquilo, que não parecia estar como devia ser. Por fim, regressou a casa, muito abatido, porque queria uma princesa verdadeira.

 

Hans Christian Andersen, «A princesa e a ervilha» in Contos de fadas. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1996, p. 5 (cota: 82-93 AND CON)

2021-10-01

Contos 1 (#Mibe 2021)

 

Entramos no Mês Internacional das Bibliotecas Escolares (MIBE2021)

 


 

Naquele tempo, o sol tinha uma filha.Tal como o pai, a filha era uma estrela brilhante e vivia rodeada pelo brilho ainda mais intenso do sol. Usava sapatos feitos de concha reluzentes e nos dedos, à volta dos tornozelos, dos pulsos e do pescoço usava diamantes colhidos das estrelas cadentes. Irradiava um brilho cintilante e iluminava o vazio para além do sol conhecido como o céu. 

«A mãe que se transformou em poeira» in As mais belas fábulas africanas, Carnaxide: Editora Objectiva, 2013, p.265 (cota: 82-93 --- MAI)

 

A partir da temática proposta para este ano Contos de fadas e contos tradicionais de todo o mundo” partilharemos convosco excertos de contos que se podem encontrar no nosso fundo documental. Começamos com o princípio desta história africana, originária do Malawi, retirada de uma antologia prefaciada por Nelson Mandela.

2021-09-27

livros da nossa biblioteca


 


O Outono

 Já o Sol, Platero, começa a ter preguiça de sair dos seus lençóis, e os lavradores madrugam mais do que ele. É verdade que está nu e que faz frio.

Como sopra o norte! Olha, pelo chão, os galhos caídos; o vento é tão áspero e direito, que estão todos paralelos, apontados para o sul.

O arado vai, como tosca arma de guerra, para o labor alegre da paz, Platero; e, no largo caminho húmido, as árvores amarelas, certas de reverdecer, alumiam de um lado e outro, como suaves fogueiras de ouro claro, o nosso rápido caminhar. 

Juan Ramón Jiménez, (tradução, José Bento), Platero e eu, Lisboa: Livros do Brasil, p.94.



Platero e eu  (cota: 821.134.2-1) pode ser encontrado na estante da literatura espanhola da nossa biblioteca

Juan Ramón Jiménez (1881-1958) foi Prémio Nobel em 1956. Uma biografia do Autor pode ser lida aqui.

 

2021-09-08

2021-09-01

recomeçar (Afonso Cruz)



 Bibliotecas


Na biblioteca do faraó Ramsés II estava escrito por cima da porta de entrada: «Casa para terapia da alma.» É o mais antigo mote bibliotecário.

Afonso Cruz, O vício dos livros, Lisboa: Companhia das Letras, 2021: p.76


Bem-vindos à biblioteca neste novo ano letivo de 2021-2022

2021-07-23

Prosa de férias, Bernardo Soares

 

A praia pequena, formando uma baía pequeníssima, excluída do mundo por dois promontórios em miniatura, era, naquelas férias de três dias, o meu retiro de mim mesmo. Descia-se para a praia por uma escada tosca, que começava,  em cima, em escada de madeira, e a meio se tornava em recorte de degraus na rocha, com corrimão de ferro ferrugento. E, sempre que eu descia a escada velha, e sobretudo da pedra aos pés para baixo, saía da minha própria existência, encontrando-me.


Fernando Pessoa, Livro do desassossego, composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa, edição de Richard Zenith, Lisboa: 1998, p.204 


Boas férias!