2012-10-22

Um livro para ler, um filme para ver: O Gebo e a Sombra



“Casa pobre com janelas e duas portas ao fundo, uma para a rua e outra para a cozinha. Mesa com livros de escrituração comercial. Inverno, Cinco horas.
Anoitece.

SOFIA (espreitando à janela): Não tarda por aí... Já se começam a acender os lampiões da estrada. Pobre velho, há de vir cheio de frio. Todo o dia à chuva, toda a vida ao tempo... (Espreita outra vez). Não se vê nada para a rua. O café está quente. (Olha em roda). Deixa-me dar mais luz ao candeeiro... Ah!, a manta velha e os sapatos, senão põe-se aí a ralhar por causa dos sapatos... Há quantos anos faço todos os dias as mesmas coisas! (Baixinho,) Há quantos anos! (para Doroteia que entra.) O pai hoje demora-se, estará doente?”

Assim começa a peça de teatro de Raul Brandão; assim começa o filme de Manoel de Oliveira.
Brandão morreu há oitenta e dois anos; Oliveira tem cento e três anos.
Ambos são homens do Porto. Agora também estão unidos pelos belíssimos enquadramentos que Oliveira fez das palavras de Brandão.

É um retrato da condição humana: Gebo, um homem pobre, vive com a nora e a mulher que anseia o regresso do filho há oito anos desaparecido... Um dia, o filho voltará para maior desgraça da família... E a sombra?


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