Pensar a violência nas relações amorosas
Aderimos à atividade proposta pela turma EFA S - 59, do ensino noturno (uma exposição que teve origem na ESCO de Torres Vedras) e que aproveita o dia dos namorados para, durante o mês de fevereiro, propor uma reflexão sobre a violência no namoro - imagens e palavras relacionadas com o tema. Da nossa parte, procurámos e damos a ler momentos de livros do nosso fundo documental que mostram instantes de violência.
Parabéns a todos os participantes.
A leitura continua!
Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos).
É com este poema de Ricardo Reis lido ali à beira do rio no Cais do Sodré que terminamos o nosso roteiro poético Pessoa & Lisboa.
Esta nossa iniciativa só se realiza com o apoio dos professores de Português, que são convidados a escolher os poemas que mais lhes interessam (de acordo com os seus objetivos pedagógicos) e que são integrados no roteiro.
Fizemos hoje a primeira experiência do roteiro poético de Fernando Pessoa em Lisboa com os alunos de Português do 12 CT2 e 12 CT3.
O dia esteve maravilhoso e não deu em chuvoso.
Terminamos o ano com a montagem das estantes recentemente adquiridas com orçamento do Agrupamento.
O investimento vale a pena porque permite servir melhor os nossos alunos.
Agora, temos mais espaço para livros novos, permitindo uma arrumação menos tensa dos livros, que, assim, podem respirar melhor.
Boas festas!
A terra treme e passou por cá.
A escola foi a protagonista do exercício de prevenção sísmica A terra treme, com a presença do ministro da educação, da secretária de estado da proteção civil, do presidente da Câmara de Odivelas e do presidente da União das Freguesias da Ramada e Caneças, entre outras individualidades. A biblioteca foi o local onde se simulou e filmou o que os alunos devem fazer em aula na situação de sismo: baixar, proteger, aguardar. O 11CT3 mostrou como é. Depois, fomos todos para um lugar seguro.
Na biblioteca da escola depois da guerra
Ao entrar sinto a cara a arder:
montes de livros, migalhas de cultura e de beleza
juncam o chão como espigas calcadas
após a passagem de um brutal furacão.
A poeira da guerra veio pousar nos lábios
dos homens de génio. Vozes incorruptíveis
a troar por cima do espaço e do tempo.
Mas incapazes de esmagar as botas do fantasma.
Apanho o livro pouco espesso furado
Por uma bala. A chaga é horrível.
Todas as folhas estão manchadas de sangue.
Abro. Leio. Não posso reter as lágrimas
quando o título vem dançar diante dos meus olhos:
«Os sonetos sangrentos de Hviezdoslav».
Julius Lenko (1941-1991), in A rosa do mundo 2001 poemas para o futuro, (dir edit. Manuel Hermínio Monteiro) Lisboa: Assírio e Alvim, 2001, pp.1547-1548
Nos 32 poemas que compõem Os Sonetos Sangrentos (1914), o poeta eslovaco Pavol Országh Hviezdoslav pergunta quem é o responsável pelos horrores e sofrimentos da guerra, revelando também esperança de que a humanidade aprenda a viver em paz.
http://relvateresa.blogspot.com/2021/03/os-sonetos-sangrentos-de-hviezdoslav.html
Concluímos com este poema de um poeta eslovaco a nossa proposta de textos para a paz. Afinal , a maioria fala da guerra. Sim, é a guerra que nos faz falar da paz.
Ruínas
A lua quebra os seus espelhos nas ruínas enquanto Beirute faz muletas de sangue e cinzas e coxeia com elas.
É verdade. O céu tem correntes à volta dos pés, e as estrelas têm adagas presas na cintura.
O dia esfrega os olhos sem acreditar no que vê.
Chora, Beirute, limpa as tuas lágrimas com o lenço do horizonte. Escreveste de novo ao céu, mas estavas errada e agora os teus erros escrevem-te.
Não tens outro alfabeto?
Adonis, O arco-íris do instante antologia poética, Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2016, p .95
Recitativo do requiem para os caídos da Europa (1917)
Quero queixar-me dos homens no exílio do seu tempo;
Queixar-me das mulheres de coração jubilante, agora a gritar num lamento;
Quero acumular e repetir todos os queixumes
De viúvas apertando-se em corpetes impacientes, no crepitar de lumes;
Ouço crianças de loira voz que antes de irem para a cama perguntam por Deus- -Pai;
Em todos os frisos vejo retratos com hera, sorrindo fiéis ao tempo que já lá vai;
De todas as janelas ardem para pétreos longes olhares de raparigas abandonadas;
Em todos os jardins se cultivam sécias, como se já as campas tivessem de ser [preparadas;
Em todas as ruas os carros se movem mais lentos, como num enterro;
Em todas as cidades tocam mais forte os sinos, porque há sempre mais um que às [balas tombou em qualquer cerro;
Em todos os corações há um lamento
E em cada dia o oiço mais violento.
Iwan Goll, «Recitativo do requiem para os caídos da Europa (1917)», Expressionismo alemão, antologia poética, (org. João Barrento), Lisboa: Ática [sd, 1976], p.83
O carro de assalto e o camião como os animais pesados e corpulentos da selva, búfalos e rinocerontes. A metralhadora como um mexerico que ceifa muitas vidas de uma só vez? Ou a espingarda, a arma calma e pessoal, a extensão do poder do homem. Não poderão estar todos relacionados?
E, pelo contrário, em combate, os homens estão mais próximos da natureza das máquinas que da natureza humana. Uma tese plausível e aceitável. Os combates são organizações de milhares de homens-máquinas a deslocarem-se com movimentos preordenados através de um campo, a suarem como um radiador ao sol, a estremecerem e a tornarem-se rígidos como um pedaço de metal à chuva. Já não nos encontramos assim tão distantes das máquinas. Consigo vislumbrar isso no meu próprio pensamento. Já deixámos de adicionar maçãs e cavalos. Uma máquina vale tantos homens. A marinha levou isso a um requinte maior do que o exército. Os países cujos líderes aspiram a igualar-se a Deus fazem a apoteose da máquina.
Norman Mailer, Os nus e os mortos (1948),Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2008, p.561
Em Mês Internacional das Bibliotecas Escolares, concluímos hoje a apresentação da biblioteca às 23 turmas do 8.º e do 10.º ano que iniciaram o seu novo ciclo de estudos da nossa escola. Esperamos que os nossos novos alunos tenham ficado com uma ideia deste mundo que é a biblioteca da nossa escola. Agora, é praticar.

in https://www.facebook.com/oikos.cd/
Resumo da discussão da turma do 11°AV1 na disciplina de Filosofia
Formas de erradicar a pobreza
· 17 objetivos que os 193 governos do mundo assumiram na assembleia geral da ONU
· O principal objetivo é criar um mundo onde não há pobreza e fome
· O desenvolvimento humano está pendente das condições de cada país à sua sobrevivência
· A concretização destes objetivos depende de: - enquanto cidadãos do mundo devemos adaptar os nossos hábitos para um melhor mundo
-diminuir a quantidade de desperdício e o consumo excessivo
-devemos adotar hábitos sustentáveis como a reciclagem e os recursos naturais
· O ser humano é egoísta e ganancioso por natureza pois já que ainda não descobriu e resolveu todos os problemas do seu mundo quer descobrir e explorar outros mundos
· Devemos afirmar pequenas ações e gestos no nosso dia à dia para lutar por um mundo sem desigualdade:
-lutar por um mundo sem pobreza
-lutar por um mundo onde todos têm acesso a uma alimentação equilibrada, acesso comum à saúde e educação
-lutar por um mundo onde não existe discriminação de género como por exemplo, a discriminação da mulher e a violência da mulher
· Tudo isto depende da determinação, foco, força de vontade, persistência e resiliência da população.
· Estas mudanças e atos começam na nossa vida quotidiana, na nossa escola, família e sociedade, como também nos governos (incentivar ao uso dos transportes públicos)
· Para tudo isto devemos estar atentos ao mundo que nos rodeia, pois não dando valor às condições que nos são proporcionadas não tomamos consciência dos indivíduos que necessitam de ajuda para a sua sobrevivência
· Devemos também tomar consciência e agir contra os problemas que se fazem sentir na nossa sociedade:
-a seca extrema em Portugal e na europa
-a pobreza nos países não desenvolvidos
-a violência doméstica sentida na atualidade
-os fenómenos meteorológicos extremos sentidos por todo o mundo
-degradação e destruição dos habitats e recursos naturais
-a intensa caça e extinção em massa de espécies animais essenciais à fauna e flora de cada país
-violência e discriminação religiosa
- a escravatura e trabalho infantojuvenil nas fábricas e produções de produtos considerados luxuosos e essenciais
· A concretização dos objetivos definidos na assembleia geral da ONU está totalmente dependente da ação e mentalidade da sociedade atual, sendo necessário instruir e alertar para o início da luta contra os problemas do mundo atual.
17 de outubro: Dia para a erradicação da pobreza: as conclusões e propostas do 10CT3
As conclusões e propostas do 10 CT3
Parecia que a guerra desalojara a Stalinegrado antiga. Era fácil imaginar como os oficiais alemães saíam das caves, como o marechal de campo andava ao longo destas paredes cobertas de fuligem e as sentinelas se endireitavam à vista dele. Mas seria possível imaginar que foi ali que Aleksandra Vladimirovna comprou fazenda para um sobretudo, o relógio que dera a Marússia no seu dia de anos, que viera ali com Serioja e, na secção de desporto, no primeiro andar, lhe comprara patins?
Provavelmente, é a mesma impressão estranha que têm aqueles que vão visitar Malákhov Kurgan, Verdun, o campo de Borodinó - ver criança, mulheres que lavam a roupa, uma carroça carregada de feno, um velho com um ancinho... Aqui, onde são as vinhas, andaram colunas de poilus, andaram camiões cobertos de lona; lá, onde agora é uma isbá, pasta o gado magro kolkhoziano e há macieiras, passara a cavalaria de Murat; deste sítio, Kutúzov, sentado na poltrona, com um gesto da mão senil, lançava ao ataque a infantaria russa. Em cima do kurgan, onde as galinhas e as cabras poeirentas estão a pastar nas ervas entre as pedras, o almirante Nakhímov esteve parado, daqui voaram as bombas luminosas descritas por Tolstói, aqui os feridos gritavam, as balas inglesas assobiavam.
Vassili Grossman, Vida e destino (c.1961), Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2011, pp.844-845
A rosa de Hiroshima
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa sem cirrose
A anti-rosa atómica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
Vinicius de Morais, Antologia poética, Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2001, p.299
Ele rodava a cadeira, frente para trás. De quando em enquanto se escutavam tiros, rajadas de metralhadora.Já nem nos alarmávamos. Lá fora havia o matraquear da morte, lamentos de vidas que se apagavam. Para nós, porém, aquele ruído, era já parte da paisagem. Ficava, contudo, um amargo escorrendo naquelas paredes. Nosso assunto se engasgou. Comentei sobre a eternidade que demorava a guerra. Assane discordou:
- Nem isto guerra nenhuma não é. isto é alguma coisa que ainda não tem nome.
Se explicou: antes fosse uma guerra a sério. Se assim fosse teria feito crescer o exército. Mas uma guerra-fantasma faz crescer um exército fantasma, salteado, desnorteado, temido por todos e mandado por ninguém. E nós próprios, indiscriminadas vítimas, nos íamos convertendo em fantasmas.
- No fundo da latrina não pode haver guerra limpa.
Mia Couto, Terra sonâmbula, Lisboa, Caminho, 1998, p.121
Um dia, chegou um homem à aldeia, ferido, com a roupa em farrapos sanguinolentos. Suplicou para o esconderem. Eles nem tiveram tempo para pensar no que fazer. Apareceram soldados, quatro ao todo, pegaram no homem, empurraram-no para uma árvore, uma rajada atordoou os pássaros e as gentes. Enterrem-no, mandaram. E foram embora pelo caminho de onde vieram, sem mesmo beberem água. Enterraram o homem, iam fazer mais como então? Durante dias lamentaram o morto, enterrado sem xinguilamento nem choro de familiares, sem bebida deitada nos caminhos para orientar o espírito. Muitas teorias foram criadas sobre a origem do finado e as causas da sua morte, todas sem comprovação. E temiam que o espírito injustiçado rondasse perto e eles pagassem pelo que não fizeram. Tantas outras coisas sucederam entretanto que foram esquecendo, mesmo o local da sepultura. A Muari não esqueceu, por vezes murmurava, podia ter sido um dos meus filhos.
Pepetela, Parábola do cágado velho (1997), Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2016, p.37